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Não há cura

por Carla Hilário Quevedo, em 28.07.08

Leonard Cohen ofereceu um espectáculo de três horas ao público português. Desdobrando-se numa coreografia de vénias e agradecimentos sucessivos às pessoas em palco, o cantor foi de uma generosidade superior. Não terá sido a primeira vez que fez isto. Como compositor, ou melhor como poeta, tem um respeito enorme pelos músicos que o acompanham, como o «impecável Neil Larsen», e pelas belíssimas vozes da «incomparável Sharon Robinson» e das «sublimes irmãs Webb». Foi provavelmente o concerto a que assisti na minha vida em que havia mais gente da faixa etária dos meus pais. A média de idades dos presentes dava uma frescura desnecessária aos 74 anos do Grande Leonard. Senti uma leve ciumeira por causa disso. Ali estavam adolescentes que cresceram a ouvir as canções de Cohen e também de Bob Dylan, que luxo. Tiveram um privilégio que, infelizmente, não tive. Conheci Leonard Cohen tarde, mas não demasiado. O suficiente para ainda me comover com as suas canções e as saber de cor e salteado. Como se fosse pouco, tive a felicidade de o ter visto doce e jovial, a saltitar nas poucas ocasiões em que saiu do palco naquela noite inesquecível em Algés.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 19-07-08.

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publicado às 09:46