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Só Heath Ledger interessa

por Carla Hilário Quevedo, em 05.08.08

 

Duas horas e quarenta minutos de filme pode ser uma informação menor para o público espectador das salas de cinema em geral e para cinéfilos em particular. Para mim, que não sou nem uma coisa e ainda menos a outra, é determinante. Só arrisco a comprar o bilhete quando a razão é muito boa. E Heath Ledger era uma muito boa razão. Confirmei o que era uma intuição: é provável que não seja o melhor Joker de sempre mas só porque a personagem original não está à altura. O Joker de Ledger é um pirómano descontraído, um psicopata que destrói sem objectivo nem ambição. Acaba por não ser muito diferente de Anton Chigurh, o assassino temível de Este país não é para velhos, embora dê um bocadinho mais nas vistas pois pinta a cara e tem cicatrizes. Heath Ledger é um Joker excepcional, mas não compensa o tempo gasto numa sala com gente a falar ao telemóvel (haja paciência) enquanto assiste a um jogo de vídeo a que se convencionou chamar «filme», em que uma rapariga feia, estranhamente desejada pelos dois heróis (saudades de Kim Basinger!), um Batman chocho, agentes policiais e um Mayor canastrão vão passando níveis de dificuldade. Para ver em fast-forward em casa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 2-08-08.

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publicado às 08:02