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Dores de cabeça

por Carla Hilário Quevedo, em 05.08.08

Interessado no diagnóstico mas sobretudo na cura das doenças, Cornélio Celso, no livro quarto do seu tratado de medicina (ca. inícios do século I), discorre sobre como acabar com as dores de cabeça – em grego, cefaleias. Uma vez reconhecida a causa, os tratamentos variavam. Interessava saber a intensidade da dor. Se fosse muito, muito forte, havia que rapar o cabelo todo e tentar perceber se deitando água fria ou quente sobre a cabeça o paciente reagia melhor a uma coisa ou à outra. O tratamento não era feito a partir do diagnóstico mas a partir do resultado de experiências. Os argumentistas de House ter-se-ão inspirado em Celso? Seja como for, os curativos eram baratíssimos: esponjas embebidas em óleos e emplastros quentes ou em água e sal, consoante a reacção do paciente às diferentes temperaturas. Mas para as dores crónicas, Celso recomenda que se espirre, que se gargareje muito e que não se coma nem beba nada a não ser água e pouca (De Medicina, IV, 2. 6-8). Jejum e uma purga que implica deitar sangue pelo nariz parecem métodos selvagens para nós que temos pastilhas à mão. A vida já foi mais dura e talvez por isso menos alienada.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 2-08-08.

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publicado às 07:57