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Ai, que coisinha mais linda

por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.08

Não sendo especialista em felinologia, tenho esta ideia certamente acertada de que existe um único intuito na produção em laboratório de várias raças de gatos: o de obrigar os adultos mais sisudos a fazer figuras ridículas enquanto agudamente guincham «ai, que coisinha mais linda!». Aconteceu com os franceses azulados Chartreux – em inglês: British Shorthair – uns espécimes felinos do mais belo que há no planeta. Voltou a acontecer com os gatos persas. Esta mistura cómica de focinho de frigideira, pêlo de Rapunzel e grandes olhos semicerrados encanta qualquer pessoa decente. «Ai, que coisinha mais linda», pois claro. Estavam os níveis de ridículo mais que estabelecidos quando subitamente um amigo dos animais com ânimo de Dr. Bunsen Honeydew resolveu fechar um chartreux e um persa num quarto de hotel de cinco estrelas. Passado um tempo… razoável para misturas e ainda mais misturas – nem sempre uma vez e um quarto são suficientes – apareceu o bichano mais espantosamente fabuloso do planeta. Estou a falar do gato exótico de pêlo curto – em inglês e para pesquisar no Google Images: Exotic Shorthair Cat. Subindo um degrau na escadaria dos comentários que arruínam qualquer boa reputação: «Ai, que a coisinha mais linda é esta agora!».

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-09-08.

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publicado às 07:10