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Dona Medusa

por Carla Hilário Quevedo, em 07.10.08

(Portuguese Man o' War washed up on Trinidad's Atlantic coast. By Alan Geere of Blakedown, Kidderminster. Clique na imagem para ver bem. ) O jornal britânico Telegraph tem organizado concursos mensais de fotografia cujos resultados deixam qualquer leitor boquiaberto. Foi literalmente o que me aconteceu quando vi na edição on-line uma imagem de uma alforreca gigante trazida à costa atlântica de Trinidad. A legenda em inglês levou-me a uma pesquisa. O bicho era descrito como sendo uma Portuguese Man o’War. E o que para mim era uma medusa exuberante depressa passou a ser uma caravela-portuguesa, assim conhecida por causa da parte superior que faz lembrar as velas triangulares das embarcações portuguesas nos Descobrimentos. Pois é essa parte do animal em tons de roxo ou azul que provoca um desejo forte e contraditório: por um lado, uma repulsa grande; por outro, uma imensa vontade de ir lá com a mão. Só para percebermos se queima como as outras alforrecas, se pica, se morde, se é de gelatina ou se é dura como plástico. Quem sabe se para deixarmos que o bicho nos marque a pele, ficando deste modo habilitados a mostrar que estivemos com a caravela-portuguesa, e que a queimadura medonha no braço é a prova de nos ter dito olá com os seus longos e esguios tentáculos.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-10-08.

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publicado às 08:04