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Simplesmente, beijinhos

por Carla Hilário Quevedo, em 11.11.08

Será que as fórmulas de cortesia desapareceram só porque agora já quase ninguém escreve cartas? Claro que não, responde o mais assertivo utilizador do e-mail. Em vez de papel e caneta temos ecrã e teclado, além de correio azul embutido na máquina, sempre que acedemos à Internet. É verdade, no entanto, que as fórmulas de cortesia sofreram alguns ajustes. Ora, nem sempre a conversa virtual acontece entre pessoas que se conhecem bem. Nesse caso, como suspender a comunicação? Sugiro «beijinhos». É simpático e festivo. Não há segundas intenções em «beijinhos». Os «beijinhos» são sempre cordiais, socialmente respeitáveis e muito bem aceites nesta nossa cultura à beira-mar plantada. Não há nada que se possa imaginar com «beijinhos». «Um abraço» pode ser muito correcto quando dirigido a um homem, mas uma senhora nunca quer ser abraçada numa missiva, garanto. Os «melhores cumprimentos» vêm do contabilista ou do advogado. «Um grande beijinho» tem graça porque se é grande não há-de ser -inho, mas cansa. Já «beijos» ou «um beijo» ou mesmo «um grandessíssimo beijo nessa boca» me parecem menos adequados a situações de pouca intimidade. Assim sendo, beijinhos e até para a semana.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 8-11-08.

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publicado às 19:22