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Sinceridade útil

por Carla Hilário Quevedo, em 23.11.08

"O que temo mais na vida é a corrupção. No aspecto do bem-estar. Toda a minha vida é marcada por pequenas e ao mesmo tempo grandes opções e grandes atritos... e até certa altura fui considerada escritora de ódio, era uma constante das críticas. Mas não era ódio, era antes uma certa reserva em relação a uma facilidade. Quando me surge uma facilidade tenho de parar para a enfrentar, e tenho de guardar uma margem de liberdade, e portanto de de antipatia em relação a essa facilidade. Não quer dizer que, como todos nós, não tenha uma propensão enorme para aquilo que é fácil, por aquilo que é agradável na vida, seja a fortuna, seja toda a espécie de bem-estar. Mas é isso que eu mais temo. Acho por exemplo que uma grande fortuna, uma grande celebridade, é terrível para um criador. E nós vivemos cada vez mais nessa espécie de permissão da corrupção. Hoje já não há praticamente barreiras entre um comportamento ou outro."

 

Agustina Bessa-Luís, Dicionário Imperfeito, Lisboa, Guimarães Editores, 2008, p. 59.       

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publicado às 16:47