Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O príncipe triste

por Carla Hilário Quevedo, em 25.11.08

Embora não seja monárquica, nada me move contra a monarquia. Até admito que tenha algumas vantagens institucionais quando comparada com o sistema republicano. Tem pelo menos muitas coisas giras, sendo certo que tem outras bastante tristes. Tomemos como exemplo a vida do recém-sexagenário Príncipe Carlos de Inglaterra. É o mais parecido que temos na Europa a princesas deprimidas e fechadas numa torre à espera de um paladino que as salve. A diferença é que Carlos espera pela coroa de rei. Mas a fortuna é madrasta. A mãe é rija como aço e tem uma saúde de titânio. Carlos casou-se sem amor com uma jovem mais querida e popular do que ele. Ainda por cima, Diana era uma lança republicana em solo monárquico. O amor da vida do príncipe era casada com outro, o que faz lembrar a história do tio-avô que abdicou da coroa por uma questão parecida. Carlos é pai de dois filhos que parecem saídos das histórias de encantar já mencionadas. O primogénito, antes de ser oficialmente o Príncipe de Gales, herdeiro da Coroa, é mais estimado agora do que Carlos alguma vez foi. Sim, é uma existência triste e equivoca. Mas não é grave. Sessenta anos de vida principesca ninguém lhe tira.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-11-08.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:19