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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 12.12.08

Sophia Loren

 

... o que se está a passar na Grécia não me surpreende nada. Gosto muito dos gregos - antigos e modernos, mesmo com cerca de 400 anos de turcos pelo meio - mas temos de perceber que estão longe de ser gente pacífica. Têm uma agressividade muito característica,  no modo como se relacionam no seu dia-a-dia, que pode ser divertida e estimulante, mas que a longo prazo estafa qualquer criatura. Os estudantes acreditam ser os dignos descendentes de Platão e Aristóteles, desprezam a Europa (com a excepção dos países mediterrânicos, em que nos incluem) e não reconhecem a autoridade da Polícia, era só o que faltava. De vez em quando põem bombas nos McDonald's principais da capital. Na Grécia, fui apelidada de "católica de segunda" porque não era ortodoxa. Ora, mais coisas... Ah, gosto imenso dos gregos, falam a melhor língua do mundo, e fui muito feliz no caos de Atenas. Os gregos são perfeitos para debater toda a espécie de temas. Não me lembro de encontrar um único autóctone que se sentisse ofendido ou melindrado com as palavras dos outros. A vaidade acaba por proteger. Têm sentido de humor, são aguerridos e são excessivos. Como tal, são muito afectivos. (Se calhar, esta é a razão por que os Antigos se preocupavam com o equilíbrio. Um bocadinho como Séneca, que falou tanto da ira porque teve o pupilo que teve.) Isto para dizer que estão quase nos antipodas dos portugueses. Também gostei de ouvir Henrique Medina Carreira, mas julgo que não tem de se preocupar com uma onda de violência semelhante em Portugal. Um português descontente resmunga, toma comprimidos; em suma, vai deitar-se um bocadinho a ver se passa. Um grego mais ou menos contente atira pedras à Polícia. Mas basta de antropologia. Vou passar o resto do dia a beber água.

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publicado às 10:19