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Vício compreensível

por Carla Hilário Quevedo, em 23.12.08

Não deve ser fácil ser palestiniano. E viver na Faixa de Gaza também não deve ser pêra doce. Lembro que esta região dominada pelo Hamas, além de estar em guerra permanente contra Israel, também não se dá nada bem com o governo da Fatah, apesar de esta, por sua vez, não ser amiga de Israel. No meio desta salada há palestinianos a residir em Gaza que só querem viver em paz e sossego. O jornal israelita Haaretz descobriu que há um medicamento muito na moda entre os civis naquele território. Trata-se do Tramadol, um opiáceo que está a ser medicado como analgésico. Esta droga é uma espécie de parente longínquo da morfina e da heroína. Os principais efeitos secundários são uma ligeira euforia e boa disposição, algo que não deve sobrar entre os residentes na Faixa de Gaza. Barata e de fácil acesso, deve ser irresistível para quem vive sob uma pressão daquelas. É usada como droga recreativa e, segundo parece, é mais bem vista do que o tradicional haxixe. Cria dependência, mas esse não é com certeza o problema prioritário na conturbada região do globo. «O mais importante é evitar que pensemos em demasia», afirmou um consumidor regular do Tramadol. Claro.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-12-08.

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publicado às 09:39