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Vi um anúncio curioso na edição online do The New York Times. A Bulgari, para celebrar o seu 125.º aniversário, decidiu participar na campanha Rescrever o futuro da organização humanitária Save the Children. Para contribuir basta comprar um anel muito giro que custa 290 dólares, dos quais 60 se destinam a ajudar as crianças. Apesar das boas intenções parece haver algo desagradável na iniciativa. Um anel da Bulgari é muito mais tentador do que os pins que nos pregam no casaco quando contribuímos para campanhas igualmente nobres em colectas de rua. Também é verdade que são raros os que contribuem com uma nota de vinte euros ou mais. Mas ter o tal anel da Bulgari é dar com ostentação e exibicionismo. Admito que a coisa me provoca um certo asco. O filósofo e estudioso rabínico Maimónides dizia que a maior generosidade provinha dos que davam sem que ninguém soubesse que o faziam. Esta campanha com o anel como prémio está no nível mais baixo da escala da generosidade. Por outro lado, os tempos mudaram e talvez a única maneira de recolher ajuda seja através de uma troca, que pode ser o proveito pessoal ou o reconhecimento público.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-03-09.