Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Antropomorfizemos

por Carla Hilário Quevedo, em 03.11.09

Houve uma época em que atribuir qualidades humanas a animais era ridículo. Agora parece que quem via bondade, maldade, traição ou sinceridade nos animais estava certo. Os estudos sobre animais não têm tido descanso na última década. No livro Wild Justice: The Moral Lives of Animals, Jessica Pierce e Marc Bekoff relatam as suas últimas conclusões: os canídeos têm inteligência emocional e moral. Uma das provas que os autores apresentam é a maneira como brincam os cães, coiotes e lobos. Ficou provado que estabelecem e respeitam certas regras de jogo. Quando as infringem, como abusar inadvertidamente da força na brincadeira, pedem desculpa. Sempre que um faz batota, é expulso do jogo. Não é um castigo menor. Não permitir que o batoteiro brinque é o mesmo que condená-lo a prisão perpétua. Os transgressores ficam isolados da matilha, o que significa que deixam de poder interagir com os seus pares e muito dificilmente acasalam. Tirando o acasalamento, as crianças brincam da mesma maneira. Isto só foi comprovado entre os mamíferos e ainda não se chegou a nenhuma conclusão quanto a passarinhos ou peixes. Por enquanto, ainda os podemos comer sem culpa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-10-09.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:45