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O lado bom da crise

por Carla Hilário Quevedo, em 26.10.10

Há não muito tempo, foram confiscados 27 quadros de pintores como Picasso, Miró, Matisse e Renoir. Ante a perspectiva de Portugal entrar na alta-roda do crime, o responsável pela área da criminalidade cultural (não sabia que existia, mas soa bem), deu conselhos sensatos. Se queremos comprar obras de arte, devemos documentar-nos sobre os seus autores, fugir das compras a particulares e procurar galerias prestigiadas. Sendo assim, estamos conversados. O crime cultural não passará. Mas qual não é o meu espanto quando leio no Guardian que a Christie’s vendeu quadros falsificados por trinta milhões de libras. Não eram cópias de originais mas obras de um artista alemão talentoso que pintava telas com títulos registados, mas cujo paradeiro era desconhecido. Lá se vão os conselhos de nos informarmos sobre o autor e procurarmos galerias prestigiadas. O incidente causou o pânico entre os coleccionadores, que chamaram especialistas para confirmar a autenticidade das últimas compras. Mas se a Christie’s foi enganada, em quem podemos confiar? Felizmente, com este orçamento não vamos poder comprar quadros. Senão, nem quero imaginar o perigo que estaria a correr.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-10-10

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publicado às 19:01