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por Carla Hilário Quevedo, em 09.08.05
O menino da mamã e da avó (3)

Quando Swann chega para jantar, Marcel percebe que tem a noite estragada. Será enviado para o quarto, sem direito ao beijinho de boas-noites por que espera durante todo o dia. Uma vez no quarto, Marcel envia um bilhete à mãe, por intermédio de Françoise, a criada, que logo o olha com profundo desprezo: "Então não é uma infelicidade para os pais terem um filho assim?" (36) A mãe mandou que Françoise repetisse: "Não tem resposta." (38) Finalmente, depois da saída de Swann, a mãe sobe as escadas e encontra o filho, ansioso, no corredor e, encolerizada, manda que Marcel desapareça, para que o pai não o encontre "assim à espera, como um tolo!" (42) Nessa noite, o pai, farto daquelas "pieguices" (43), deixa que a mãe durma no quarto de Marcel. A mãe compreende a sua dependência: "(...) parecia-me que, com mão ímpia e secreta, eu acabava de traçar na sua alma uma primeira ruga e de nela fazer surgir um primeiro cabelo branco." (45) Mas suporta o episódio com doçura: "Aqui está a minha moeda de oiro, o meu canarinho, que vai fazer da mãe uma palerminha tão grande como ele, se isto continua assim." (46) Mesmo assim, "o palerminha" lamenta-se de a noite ser "artificiosa e excepcional" (50) e só pensa no dia seguinte, passado longe da mãe, à espera da noite e do beijinho. Já disse que Marcel era uma criança muito feia, não disse?

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publicado às 10:19