Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Saber sem dar por isso

por Carla Hilário Quevedo, em 18.01.11

Há uma discussão a decorrer sobre sound bites, ou frases curtas que ficam no ouvido. O uso de sound bites, cada vez mais generalizado nos meios de comunicação social, é criticado por simplificar o discurso ao ponto de o fazer parecer superficial. Quem estiver a favor da tendência, defende-a em nome da falta de tempo ou de paciência para ouvir explicações longas ou contextualizadas. Muitos responsabilizam a propensão para a brevidade como uma consequência dos novos meios de comunicação, como as redes sociais e outras modernices. Segundo escreve Craig Fehrman, no Boston Globe, isto não foi inventado agora. Já em 1916, os textos nos jornais eram metade do que eram em 1892. Tentativas de contrariar a tendência estiveram sempre condenadas ao fracasso. O tempo ou o espaço disponíveis passaram a ser destinados à opinião, mais que à citação ou a própria notícia. Não surpreendia que chegássemos ao ponto de não termos sequer a informação original. Aliás, talvez tenhamos chegado a esse ponto, sem termos dado por isso. Os comentadores, em geral, escrevem com a certeza de que sabemos do que estão a falar. Isto significa que estamos todos mais informados do que pensamos.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 15-1-11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:21