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O achamento da Poesia Incompleta

por Carla Hilário Quevedo, em 01.03.11

Uma amiga falou-me de uma livraria situada em Lisboa, no número 11, da Rua Cecílio de Sousa, chamada Poesia Incompleta, e que, indesculpavelmente, não conhecia. Mal sabia eu a hora feliz que me aguardava, não só por ter encontrado os livros de poesia que procurava, mas por aqueles que não sabia que devia procurar e que também me encontraram. A hospitalidade do dono fez toda a diferença. A sua paixão pela poesia, a sua informalidade e, ao mesmo tempo, a sua delicadeza melhoraram o meu dia. O momento alto viria nos minutos quase finais da conversa. Para provar o seu ponto de vista, não hesitou em abrir um livro que a própria editora, certamente para evitar profanações, tinha sufocado em plástico; tudo para mostrar um poema que defendia ser incriminatório. Mas não o mostrou. Leu-o em voz alta. Tenho assistido a muitas leituras de poesia, mas poucas vezes ouvi ler um poema com aquela exactidão, precisão e elegância. Não sei se é habitual que Mário Guerra o faça. Quero pensar que sim; que é uma prática diária. Tive muito gosto em conhecer um livreiro que sabe o que faz, ama o que faz, e lê poemas assim. A Poesia Incompleta abre todos os dias, excepto ao domingo.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-2-11

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publicado às 17:18