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Saudades das más

por Carla Hilário Quevedo, em 15.03.11

Provavelmente a última femme fatale: Kathleen Turner, em Body Heat

 

Na revista Obit, Kevin Nance queixa-se da extinção da femme fatale no cinema americano. Com amarga ironia, insinua que o mais parecido com uma mulher vingativa e manipuladora que tivemos nos filmes candidatos aos Óscares foi Matie Ross, a menina de 14 anos, de True Grit, interpretada por Hailee Steinfeld. É certo que já não vemos mulheres belas e amorais como dantes. A misoginia foi canalizada de outra maneira, assim como a maldade deixou, a pouco e pouco, de ter um nome de mulher, talvez por receio de retaliações feministas. No entanto, Nance lembra que o modelo da mulher independente, que resistia a ser uma vítima, era representado pela femme fatale de policiais extraordinários. Belas, insolentes e, acima de tudo, determinadas a conseguir o que queriam, eram irresistíveis, não só para os homens, que eram ludibriados por elas, mas também para o público, que torcia por elas e ansiava por que a história acabasse bem. Ou melhor, mal para todos os outros. Talvez seja tarde para repetir estes demónios de olhos angelicais e pernas que não acabavam. Agora, as raparigas só choram e sofrem e sofrem e choram. Ou matam com golpes de karaté. Uma seca.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 11-3-11

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publicado às 18:51