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Os novos doadores

por Carla Hilário Quevedo, em 15.03.11

Li um artigo perturbador no New York Times, de Christian Longo, um prisioneiro no corredor da morte da prisão estatal do Oregon. Longo matou a mulher e os três filhos. Tem 37 anos e está há oito à espera de ser executado. O tempo serviu para negar o que fizera, tentar enganar os outros sobre o que fizera, reconhecer o seu crime hediondo e cancelar os pedidos de perdão da pena. Longo aceita que tem de morrer pelo crime que cometeu e pede que seja cumprido um último pedido: quer doar os seus órgãos. O pedido foi recusado pelas autoridades prisionais, apesar de não haver nenhuma lei que o proíba. As três drogas nas injecções letais danificam permanentemente os órgãos. Mas não acontece assim em todos os estados. No Ohio ou em Washington, é usada uma quantidade maior de um barbitúrico forte, que não tem esta acção destruidora. É desconcertante que um condenado à morte sugira uma maneira menos intoxicante de morrer, com a intenção de salvar vidas anónimas. Outros condenados à morte acompanham Longo no seu pedido e nenhum pede alterações à pena. Visto que uma boa acção não compensa outra má, por que não aceitar a doação? Não os vai salvar do inferno.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 11-3-11

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publicado às 18:42