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Elogio da solidão

por Carla Hilário Quevedo, em 22.03.11

Num artigo no Boston Globe é dito, por fim, que a solidão não é um mal em si mesmo. Digo «por fim» porque o isolamento é usualmente entendido como um defeito ou um falhanço na vida de uma pessoa. Não é bem assim, sobretudo quando não é um estado permanente que não se escolheu. Como noutros aspectos da vida, depende das pessoas e do tempo que se passa sozinho. Acima de tudo, qualquer pessoa deve ser capaz de estar sozinha. A procura da solidão acontece para nos voltarmos a encontrar connosco mesmos. Por vezes, o isolamento causa sofrimento. É o caso dos adolescentes, que nunca querem estar afastados do grupo. No entanto, um dos muitos estudos sobre o tema aponta para uma maior felicidade dos jovens que passam tempo sozinhos (de computador e telemóvel desligados) que dos hiper-sociáveis. Quando saem da sua clausura voluntária, estão mais contentes com eles próprios e mais disponíveis para os outros. Outro estudo recente do departamento de psicologia da Universidade de Harvard sugere que os mais sozinhos têm mais empatia com o seu semelhante. Faz sentido. Nada como fazer uns intervalos da humanidade para nos reconciliarmos com ela.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 18-3-11

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publicado às 17:03