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Rádio Blogue: Crise política

por Carla Hilário Quevedo, em 25.03.11

Nos últimos dias, assistimos ao fim do relacionamento tenso entre o Primeiro-ministro e o Presidente da República. Seguindo à letra uma regra formal, que dizia ser um acto próprio da governação o novo pacote de cortes na despesa pública, Sócrates não avisou Cavaco do PEC IV. A gota de água da falta de aviso acompanhou o anúncio de novas medidas de austeridade, ficando ambos associados à crise política que acabou por levar à demissão do Primeiro-ministro e à possibilidade de nova chamada a eleições. Não ter avisado o Presidente das novas medidas parece um pormenor no meio da situação difícil que o País atravessa. Este detalhe foi, no entanto, analisado por comentadores como uma prova da intenção de Sócrates de provocar uma crise que conduzisse à queda do Governo: uma oportunidade para o Primeiro-ministro demissionário surgir reforçado numa eventual vitória nas ditas novas eleições. Isto quer dizer, em suma, que Sócrates planeou uma jogada com base numa expectativa de vitória eleitoral que está longe de se concretizar. O que pode Sócrates prometer na campanha? O PEC V? Entender o esquecimento do Primeiro-ministro demitente como um plano elaborado com vista a um reforço de poder é um exercício de especulação. Entendo que Sócrates agiu de acordo com o que é. Como acontece, aliás, com a maioria das pessoas adultas. Isto significa que o que parece precipitado ou maquiavélico não é nada mais que uma pessoa no seu modo de funcionamento normal: fez as novas medidas por indicação de Merkel e quebrou um dever de cordialidade porque não se sente devedor de nada. A coerência de Sócrates é a desgraça de Portugal? O que pensa da presente crise política?

 

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publicado às 18:48