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Diferenças fundamentais

por Carla Hilário Quevedo, em 25.03.11

É a partir do acontecimento presente, ou do que mais nos impressiona, que reconstruímos o que nos conduziu àquele momento. Mas há, quanto a mim, uma diferença subtil entre provocar um acontecimento por razões políticas e provocar um acontecimento por se ser um certo tipo de pessoa. Se é certo que o primeiro argumento é mais compreensível para a maioria, porque responsabiliza o causador do problema das consequências do seu acto, também se esvazia rapidamente. Assim parece que a responsabilidade de Sócrates se resume a ter actuado de uma certa forma num determinado momento. Ainda por cima, o seu acto não é claro para a maioria das pessoas. Não o é, pelo menos, quando comparado com o chumbo do PEC IV. O segundo argumento, a que vamos chamar o «argumento Gabriela», é que Sócrates é o que é, e apenas teve a atitude que lhe é própria e que, aliás, lhe conhecemos há seis anos. Não é pouco tempo. E é por causa disto, por ser quem é, e não por ter cometido um erro, ou por ter tido uma atitude isolada que conduziu à ruptura, que não se pode votar nele. Não sabermos quem são «os outros» é, desde já, uma vantagem.

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publicado às 18:52