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Desculpas que contam

por Carla Hilário Quevedo, em 29.03.11

John Page, um actor de 26 anos, andou à vista de todos, pelas ruas de Brighton, vestido com um painel do tipo sanduíche. De um lado dizia: «Enganei a minha namorada. Estou a humilhar-me para mostrar que estou arrependido». Na parte de trás podia ler-se: «Amo-te tanto que tudo farei para te ter de volta. Desculpa». Como agora é habitual, a namorada soube da sua infidelidade pelo Facebook. É curioso como as pessoas não aprendem. Aviso que a história acaba bem: Page foi perdoado. Observemos, contudo, as atitudes dos transeuntes, tal como foram contadas no Telegraph pelo adúltero, enquanto andava ensanduichado de um lado para o outro. As mulheres, em geral, simpatizaram com o seu acto de contrição. Os homens tiveram várias reacções. Uns ficaram horrorizados, outros riram e alguns até desviaram a cara do arrependido. Esqueçamos as conclusões feministas ou morais óbvias. Penso que alguns homens sofreram por empatia. Outros devem ter achado que nenhuma mulher merecia tanta humilhação. Mas outros terão lamentado não terem tido uma ideia tão convincente, apesar de socialmente penosa, para resolver aquela facada conjugal em que um dia foram apanhados.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-3-11

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publicado às 15:27