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Há ir e voltar

por Carla Hilário Quevedo, em 07.06.11

As mulheres sauditas estão a mobilizar-se para conquistar o direito a conduzir. Parece-me bem, mas não estou certa se percebem o que as espera. Não falo dos ortodoxos, que as vão insultar e que as vão obrigar a fazer manobras perigosas. Ter um carro, embora facilite muito a vida, também dá uma série de chatices, além de ser dispendioso. Mas isso é lá com elas. O que me surpreende na iniciativa é estas mulheres acreditarem que assim iniciam a luta pelos seus direitos. Mas será mesmo um começo da liberdade? É por conduzirem que vão passar a ter o fundamental direito ao voto? Que vão poder exigir a eliminação da poligamia? Ou a vestir-se como querem? A luta pelos direitos das mulheres no mundo ocidental durou muitos anos, apesar de não haver nada de especialmente religioso na oposição masculina neste lado do mundo. Suponho que não haverá nada escrito no Corão sobre se a mulher pode ou não conduzir. Mas não é difícil relacionar esta proibição insignificante com a afirmação mais entranhada do islamismo, que sentencia a mulher à inferioridade. Conduzir o carro do marido não me parece grande libertação. Quanto ao direito a serem independentes, isso já me parece muito sério.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 3-6-11

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publicado às 19:37