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Falsas esperanças

por Carla Hilário Quevedo, em 07.06.11

Como é hábito na família, vejo os filmes em casa quando chegam ao videoclube. Já aqui partilhei que o preço do conforto é ver os filmes com um atraso de pelo menos três meses. Foi assim que este fim-de-semana vi Hereafter, traduzido por «Outra vida», um filme realizado pelo grande Clint Eastwood. Por causa do tema, o Além, e da forma narrativa, com protagonistas em histórias paralelas que acabam por se encontrar, fiquei com a sensação de que Hereafter é o filme mais Woody Allen de Clint Eastwood. No bom sentido, como se costuma dizer. Há uma certa ternura alleniana na lucidez narrativa eastwoodiana. Hereafter não é uma comédia nem um drama. Também não é um filme de mistério, embora o tema seja o mais misterioso da nossa existência: a morte e a possibilidade de vida além dela. O filme não resolve nada, mas, como uma mentira piedosa, alivia a angústia dos que ficam. É um bom filme escrito por um bom argumentista, Peter Morgan; o mesmo de Frost/Nixon e The Queen. O filme estreou pouco antes do tsunami no Japão. Foi retirado do circuito comercial porque podia desanimar a população. Ou talvez, precisamente, porque podia criar falsas esperanças.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 3-6-11

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publicado às 19:44