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Mascarado de ideias

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

Anders Behring Breivik é um assassino. Não me interessa que se declare cristão, conservador, patriota ou o raio que o parta. Não só não há explicação que lhe valha, como não devemos perder tempo a analisar o delírio psicótico a que chama convicções. Só nos deve preocupar que o medo se instale na nossa cultura, nas nossas crenças e nas nossas vidas. Este é, aliás, o objectivo de qualquer acto terrorista. A Noruega é um país tão civilizado que nem sequer tem leis para punir com dureza estes casos excepcionais. Os noruegueses aboliram a pena de morte e também a prisão perpétua. O máximo legal possível que Breivik poderá cumprir é 21 anitos de prisão. O sacana pode estar cá fora outra vez com 53 anos de idade. Não sou pessimista, mas tenho a certeza de que há e sempre haverá muitos Breiviks por aí. Estes assassinos iluminados por uma missão fazem parte do nosso mundo. No nosso mundo, fazemos questão de sermos livres de acreditar no que queremos. E estou grata aos nossos antepassados por terem lutado por isso. Mas já que não podemos prever o horror produzido por quem perverte os nossos ideais, é nosso dever castigar sem piedade quem nos tenta intimidar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 29-7-11

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publicado às 14:01