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A revolta dos polegares

por Carla Hilário Quevedo, em 16.08.11

Até há não muito tempo, a internet era celebrada como a chegada da democracia à informação e ao conhecimento. Era verdade e continua a sê-lo. Mas chegámos ao momento de ver os seus efeitos secundários, perversos ou apenas inesperados. Há vozes desesperadas com o baixo nível da crítica produzida no meio e com a crescente cultura binária de sins e nãos e infinitos itens a classificar. Temos o Facebook com os drásticos Like!, que tornam os utilizadores em pequenos imperadores romanos com os seus polegares, a decidir o destino de trivialidades, bem como a mania de dar estrelas e classificar conceitos, serviços, formas, conteúdos. Chris Colin, na Wired, critica com veemência esta forma de opinar e a consequência terrível e inevitável de não pensar. A rapidez com que se gosta de algo ou se clica numa estrela ou em cinco é mais fácil que elaborar um pensamento sobre os temas. Não é preciso saber o mínimo sobre o que se classifica. Não é requerido nenhum tipo de conhecimento. Mas isto não acaba aqui. O sistema dá a possibilidade de adoptar opiniões alheias sem esforço, sem ter de provar ou explicar seja o que for. A massa ignorante continua ignorante. Mas agora tem opinião.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 12-8-11

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publicado às 17:11