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Satisfação

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.11

Suzanne Moore escreve no Guardian sobre duas atitudes relativamente às compras que condena e das quais exorta a que nos distanciemos. A primeira é a teoria generalizada de que as mulheres vão às compras para se distraírem e que a folia acaba por custar caro às próprias ou a alguém. Moore apresenta o seu caso de mulher alérgica a todo o tipo de compras, desde a comida à roupa passando pelos móveis. As compras não a descansam nem resolvem as suas aflições. Além de não considerar a actividade calmante e terapêutica, também não compreende o consumo como um acto de patriotismo. Moore ataca a ideia de a economia ter de ser financiada pelo consumismo exacerbado e aponta que foram precisamente as despesas excessivas que levaram a dívidas impossíveis de pagar. Há carteiras de senhora que custam mais do que o salário de um ano inteiro de uma enfermeira. E têm longas listas de espera. Mas este nosso mundo sempre foi tolo. Na verdade, o ciclo vicioso das compras é alimentado por si próprio. A compra não é a satisfação de um desejo, mas apenas a semente de um novo desejo por concretizar. O problema do mundo actual é velho: é nunca estar satisfeito. Por mais que compre.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-9-11

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publicado às 18:13