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por Carla Hilário Quevedo, em 09.03.04
É um bocadinho tarde e o dia foi passado com gregos. Ao blogar, leio no Abrupto um texto acerca das sensibilidades Antigas (tenho seguido as notas com interesse e, infelizmente, sem tempo para as comentar), desta vez sobre o relativismo e a ideia de que, para os Antigos, não havia a noção de efémero.



O homem Antigo sabia perfeitamente (digo eu na minha presunção de omnisciência) que o efémero estava presente em tudo. O herói da Ilíada sabe que a vontade dos deuses é a que dita o seu destino. Sabe que de um momento para o outro as coisas mudam. E é por causa dessa efemeridade que as palavras são tão importantes. Hoje em dia, não temos a noção dessa efemeridade. Sobretudo, não acreditamos que a vida seja efémera. Mas os Antigos não eram avaros de palavras por lhes darem muito valor. Isso acontecia (se é que acontecia) porque as palavras eram, de facto, poucas. Mas estou de acordo que palavras como "nunca", "jamais", "ninguém e "sempre" devem ser muito poupadinhas para não se gastarem e, acima de tudo, para não nos gastarmos a nós mesmos.



Para terminar, um dos meus poemas favoritos de um moderno Antigo chamado Konstandino Kavafis.



Candles



The days of our future stand before us

like a row of little lighted candles -

golden, warm, and lively little candles.



The days gone by remain behind us,

a mournful line of burnt-out candles;

the nearest ones are still smoking,

cold candles, melted and bent.



I do not want to look at them; their form saddens me,

and it saddens me to recall their first light.

I look ahead at my lighted candles.



I do not want to turn back, lest I see and shudder -

how quickly the somber line lengthens,

how quickly the burnt-out candles multiply.



Tradução de Rae Dalven.

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publicado às 01:46