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Não chega

por Carla Hilário Quevedo, em 11.10.11

David Brooks escreveu um artigo no New York Times sobre os limites da empatia. Os limites estão precisamente na pouca relação que existe entre ser uma pessoa capaz de se pôr na situação do outro e ser alguém que actua no sentido de mudar algo na sua vida. Apoiado nos mais recentes estudos sobre o tema, Brooks afirma que alguém sensível à dor alheia não é mais capaz de ajudar o próximo do que aquele que acredita ter um dever de solidariedade mas que não tem qualquer afinidade com quem sofre. Parte do que Brooks nos diz é trivial: é preferível agir a ter pena. A outra parte é estimulante: a empatia não salva vidas. Segundo Brooks, as boas acções são praticadas por quem se rege por um código orientado pelo dever de solidariedade com o próximo. Por isso, em vez de as escolas ensinarem a empatia, elas devem, na sua opinião, ensinar um código a seguir. O problema é não explicar como se ensina o código. Talvez porque os códigos que o deslumbram funcionam para santos. Os restantes seres humanos (também me incluo, apesar da gramática) tentam fazer o melhor que sabem e podem. Só não sei o que faz alguém indiferente ao sofrimento alheio. Provavelmente nada de jeito.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-10-11

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publicado às 17:15