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Dor de Cabeça: Pormenores

por Carla Hilário Quevedo, em 11.11.11

Soube através dos trending topics do Twitter que Eddie Murphy tinha desistido de apresentar a próxima cerimónia de entrega dos Óscares. O tema causou furor na rede social por causa do motivo que levou à desistência. Tudo começou com uma expressão que o produtor do espectáculo, Brett Ratner, terá usado numa sessão de perguntas e respostas em Los Angeles após o visionamento do seu último filme Tower Heist. Quando os jornalistas lhe perguntaram como estavam a correr os ensaios para o grande dia dos Óscares, respondeu que «os ensaios são para maricas». Segundo uma notícia do Los Angeles Times, pouco tempo depois, no programa de rádio de Howard Stern, Ratner falou sobre «masturbação, cunnilingus, pêlos púbicos, o tamanho dos seus testículos, o seu encontro sexual com Lindsay Lohan» e contou que «manda mulheres ao seu médico para se certificar de que não têm doenças sexualmente transmissíveis». Ora aqui temos um rapaz cheio de classe. O comportamento do produtor era conhecido em Hollywood. Ainda assim, as suas declarações provocaram reacções inflamadas das associações de LGBT e que levaram o produtor a pedir desculpa publicamente por ter dito o que disse. A Academia acabou por aceitar a sua demissão. Eddie Murphy, convidado pelo produtor para apresentar o espectáculo, seguiu o amigo. Não é preciso conhecer Brett Ratner para percebermos que se trata de um idiota. É, no entanto, certo que Hollywood lida mal com a liberdade de expressão e a limita com a sua obsessão com o politicamente correcto. Diria que o caso não era para tanto, mas o negócio não se compadece da avidez de sinceridade de produtores. Afinal de contas, ninguém lhe pagou para dizer o que pensava. O que parece ser um problema de liberdade de expressão é, bem vistas as coisas, uma questão de dinheiro. Resta Eddie Murphy. Neste episódio pouco edificante para os envolvidos, sobra o que interessa: bom senso e a lealdade a um amigo. Não interessa saber se Brett Ratner merece a lealdade ou não. Eddie Murphy fez o que a amizade lhe exigia. É a parte boa desta história tola.

 

Texto publicado hoje no Metro.

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publicado às 16:01