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Como no século XVIII

por Carla Hilário Quevedo, em 20.12.11

Parece que ainda ontem falávamos dos malefícios de estarmos tanto tempo na internet, mas entretanto passou uma década. Em 2001, 16 por cento de jovens adultos afirmavam estar na rede para passar o tempo ou à procura de coisas divertidas. Agora são 81 por cento. Quanto mais estudos e mais dinheiro têm os utilizadores, mais tempo demoram à frente do ecrã sem fazer nada. As conclusões são da Pew Research Center, sediada em Washington. O clássico ócio criativo, que é como quem diz estar a não fazer nada de produtivo ou concreto, deitado ou a passear, passou a ser um ócio cibernético tão criativo, ou não, como aquele que os filósofos estimulavam. Divagar na internet é potencialmente tão útil como inútil, dependendo da pessoa que o faz. Não fazer nada de especial no computador pode explicar a existência de tantos vídeos no YouTube com gatinhos. Pode ser igualmente um incentivo para começar a fazer melhores vídeos de gatinhos. Estar à frente do ecrã deixou de ser reprovado socialmente. Na verdade, passados estes dez anos, a internet está por fim instalada nosso dia-a-dia. Como o café, o tabaco, o tomate e a batata faziam parte da vida das pessoas no século XVIII.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-12-11

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publicado às 20:30