Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Como se faz

por Carla Hilário Quevedo, em 22.05.12

Não gostei de ouvir o primeiro-ministro a usar as palavras 'desemprego' e 'oportunidade' na mesma declaração. A oportunidade de mudar de vida não é bem a mesma para todos. Os que a têm não precisam de ouvir do Governo como devem agir. Ainda menos gostei que no dia seguinte tivesse insistido no mesmo tema. A explicação não atenuou o erro; pelo contrário, só o sublinhou. A única atitude a ter face à calamidade do desemprego no País, que é má para todos, também porque tem efeitos irrecuperáveis – esteve muito bem Vítor Gaspar sobre o mesmo assunto – na vida de cada indivíduo na comunidade, é de compreensão e solidariedade. É como alguém dizer que está triste e ter outra a dizer que deve estar alegre, em vez de lhe mostrar que percebe a sua tristeza. Entender não é chorar em conjunto: é demonstrar a quem sofre que não está desamparado. Acima de tudo não é dizer que estar triste é uma oportunidade de estar alegre. Os governantes não são eleitos para dar sugestões e conselhos. Para isso há padres e pais.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 18-5-12

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:28