Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Um doido varrido chamado Felix Baumgartner atirou-se do espaço para a terra. A operação demorou cinco anos a preparar e o salto da distância de 39 mil metros não aconteceu quando era esperado. Parece que o clima não quis logo colaborar. Vi por fim o dito salto e fotografei tudo no Instagram a partir do streaming ao vivo, sentada no sofá, ao mesmo tempo atónita com a possibilidade de estar a assistir ao que poderia ser o suicídio de uma pessoa. Mas chega de falar de mim. Falemos antes da confusão instalada nos comentários online em jornais, etc., sobre a alegada ‘coragem’ do saltador austríaco. Baumgartner não é corajoso, mas antes temerário ou, prosaicamente falando, um rapaz armado em bom. Arriscou a vida para bater um recorde do mundo e cumprir um patrocínio. Os seus fins não justificam sequer uma saída de casa. Não é um herói: está só doente. Não é corajoso: é só um tolo. Há que saber distinguir para podermos reconhecer uma virtude quando a vemos.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 19-10-12