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por Carla Hilário Quevedo, em 30.04.03
Ontem vi o filme My Big Fat Greek Wedding, e sim, já sei que quase um ano depois de ter estreado (por mim, sacrifico de bom grado a actualidade pelo conforto do meu lar). Gostei muito, até me comovi. A família Portokalos (de laranja portokáli e não de cor de laranja portokalí, como tão bem explica o pai da noiva) é deliciosa: uma mãe controladora e amorosa, um pai com ar de durão, mas manipulável e sensível, uma avó que ainda vive na turcocracia, tios e primos que não acabam e muita, muita comida. Adorei a mania do pai em tornar gregas todas as palavras que existem: "Miller? That word is Greek! It comes from milo, which means apple."



Agora já sabem o meu terrível segredo, o meu calcanhar de Aquiles. Se quiserem saber porque é que a palavra estória é ofensiva ou qual é a etimologia de homossexualidade (é que anda por aí muita gente enganada) e de entusiasmo ou de qualquer outra palavra (daqui para a frente adoptarei o sistema do pai da Nia Vardalos), escrevam para bombainteligente@hotmail.com. Efxaristw kai filákia yia óllous.

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publicado às 09:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.04.03
Memories



Ai Pedro, não me lembres dessa época gloriosa da Moderna; carros, jóias, casacos de peles a rodos. E pensar que tudo acabou. Saudades...

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publicado às 10:20

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.04.03
Tenho andado preocupada com os anúncios a perfumes que se multiplicam nesta época que antecede o Verão. Qualquer pessoa minimamente saudável responderia a este comentário com um sólido getalife!, mas eu insisto. E sim, é verdade que tento não sair de casa.



Os anúncios a perfumes são do menos imaginativos que há, rivalizando com os anúncios a detergentes para a roupa e a pensos higiénicos. Há um anúncio a um detergente que é particularmente irritante e nos mostra a reunião de cerca de dez donas de casa e os seus testemunhos acerca da puta da brancura e mais não sei o quê após terem usado o dito produto, até essa altura desconhecido para todas (ye, right...). A cara de espanto das senhoras ao verem que afinal se trata do rasquíssimo Xau é de pôr os cabelos em pé e a estocada final está no gesto de ganância de uma dona de casa a arrastar a embalagem na sua direcção, num acto explícito de "eu quero um Xau só para mim". Esforcei-me por construir uma frase que contivesse as palavras "entusiasmo" e "detergente". Felizmente desisti a tempo.



Mas voltando ao que importa: os anúncios a perfumes. A Montblanc lançou recentemente um perfume com o péssimo nome Presence d' une femme. A Montblanc faz lindas e boas canetas, para que é que se mete a fazer o que não sabe? É caso para dizer "stick to what you know best". O anúncio é de fugir: plano do frasco seguido de plano do frasco um bocadinho maior e depois o nome do perfume. No anúncio ao novo perfume da Lacoste, vemos uma pseudo-ninfeta a dançar em cima de uma mesa posta e uma criança (que estraga a figura da ninfeta pura) à espreita. Se o efeito de usar o perfume é aquele, eu passo. O Giorgio Armani tem um perfume chamado Sensi e por isso, nada melhor do que pôr uma morena gira a roçar-se em cima de uma mesa a fingir luxúria. Not! E por fim, a Chanel. Quando a Chanel deixa de saber fazer anúncios, está tudo perdido no reino dos perfumes. No início, tudo corre muito bem: uma rapariga linda, bons olhos, Veneza, cor. Depois de planos rápidos da cara da menina e da de um suposto galã, a câmara subitamente afasta-se e percebemos que estão ambos numa gôndola veneziana e que ela está a beijar... o gondoleiro! O perfume chama-se Chance. Nem a Chanel sabe o que as mulheres querem.

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publicado às 00:37

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.04.03
Imagem da semana: os polícias da esquadra do Rato parecem strippers do Chippendales! (Pedi autorização ao meu marido para dizer isto, porque já não tenho ida.., tempo para rebeldias.)

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publicado às 20:41

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.04.03
Iupi! Há mais um pastilhador na blogosfera (seremos milhões!). É o Hank Chinaski e o blogue chama-se Mustang. Bem-vindo, Hank!

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publicado às 01:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.03
Última hora da correspondente da SRA, em Pequim



Engenhoso e imaginativo o novo slogan para o combate à SARS, acabadinho de aparecer no CCTV 9 (canal chinês em inglês): SARS significa Sense Action Responsibility Success e promete.



E por falar em copiar, desta feita menos copiosamente do que no exemplo anterior, eis que chegaram ao mercado as máscaras... falsas. Tudo aldabrado lá por dentro, muitas fibras e nada de filtros. Foram apreendidas aos milhares. Esperemos que tenha melhor sorte o desinfectante "84", recomendado pelo jornal do Partido. Resta saber 84 quê...



Nani, no meio deles todos

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publicado às 14:42

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.03
Correspondente em Pequim



A minha amiga Nani resolveu ir fazer pesquisa para a tese de mestrado na China, mais concretamente em Pequim, onde viveu durante dois anos, sabe Deus também porquê. Os meus amigos são pouco patriotas; gostam muito do burgo mas em pequeníssimas doses gastas em férias do Natal e alguns dias na Páscoa (a Nani nem isso!). Embora a Nani não consiga ver o blogue em Pequim (sim, meus amigos, os chineses têm um sistema eficaz de censura na Internet: bloqueiam o acesso a quase tudo), pedi-lhe para ser a correspondente do bomba em Pequim. E a Nani aceitou! Já sabem que quaisquer perguntas sobre o que se passa em na China poderão ser enviadas para bombainteligente@hotmail.com. Estas serão de imediato reenviadas para a correspondente do bomba. Apresento-vos o primeiro relato delicioso da minha amiga mais querida de quem tenho muitas saudades.



Sobre a SRA

De todas as grandes revoluções que se anunciam por causa do "bicho", a mais inesperada e menos comentada é a de uma China desinfectada e limpinha, exalando um novo perfume a incenso, lexívia e vinagre. Primavera-Verão 2003. Ruas desertas, lojas às moscas, espectáculos cancelados, restaurantes fechados, tudo metido em casinha ao telefone e na Internet. Sem a mais pequena ideia de quando é que isto vai voltar ao normal.



É mais uma experiência, sponsored by the PRC. Está tudo suspenso, os rumores são cada vez mais imaginativos - fechar as janelas porque de noite vêm aí os aviões despejar desinfectante - e os chineses tornaram-se, de repente, um povo céptico.



A debandada começou pelos estudantes - alguns programas de intercâmbio americanos deram 48 horas aos alunos para deixar o país e apesar de outros não terem obrigado a malta a pôr-se a caminho, cortaram-lhes a bolsa. Agora também os estrangeiros que trabalham se estão a concentrar no aeroporto - voos cheios e em número reduzido... Outros, aproveitam a vulture culture e esperam pacientemente que vaguem alguns lugares...



Enfim, andávamos todos muito distraídos com a guerra do Iraque, com a incrível abertura na cobertura mediática e afinal a mentira morava ao lado... O impacto da SARS vai ser impressionante e desde Tiananmen 89 não se assistia a semelhante crise.



A última novidade é a construção de um hospital para os doentes em 5 dias e 5 noites a norte de Pequim... Não, não estou com febre.... Ao que parece o estaleiro está cheio de cartazes bem ao estilo da Revolução Cultural a incitar a malta ao trabalho. Guiness à vista, pois claro.



As notícias saem em catadupa e é bem possível que muitos países sigam o exemplo da Coreia do Sul e Taiwan e ponham qualquer alma proveniente de sítios infectados em quarentena!! Quarentena por quarentena fico em Pequim, onde tenho os meus livrinhos e fotocópias! Não esquecer que depois da decisão da OMS, qualquer um de nós aqui tem um estatuto muito perto de persona non grata...



Noutro dia li um artigo interessantíssimo sobre a dificuldade acrescida de comunicar com asiáticos com máscara e a sugestão que os chins - especialmente de Hong Kong, gente mais séria e contida - passem a utilizar mais o body language! Chinos latinos à espreita. Também havia quem defendesse a necessidade urgente de se começar a arranjar máscaras com sorrisos pintados para aliviar a visão de guerra química que se vive por estes lados. Linda a capa do Economist, com um Mao de máscara.



Muitos beijinhos do epicentro da epidemia.

Nani, no meio deles todos

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publicado às 12:04

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.04.03
Estou furiosa! O Nuno Centeio, do Espigas, anunciou antes de mim o blogue dos quatro magníficos: Gato Fedorento. Estou quase tão chateada como se visse o Nuno numa festa com um vestido igual ao meu.

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publicado às 00:01

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.04.03
A Fátima Campos Ferreira entrevista o Manuel Alegre e chama-lhe o poeta (aaargh) da liberdade: "Quando o Manuel Alegre diz a palavra liberdade, parece que soa de uma maneira diferente..." Enrolará o Manuel Alegre a língua no erre e alongará o a? Demorar-se-á dramaticamente na sílaba final? Acompanhará a palavra de um gesto como o alçar do braço direito (ou do esquerdo, nunca sei), depositando os olhos semicerrados no céu?

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publicado às 22:50

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.04.03
O José Alberto Carvalho disse o seguinte no telejornal: "... a pneuomonia atípica ou Síndrome Respiratória Aguda, agora no feminino..." Agora no feminino? Desde quando é que síndrome foi masculino? Esta doença esta a ser benéfica para a língua portuguesa.

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publicado às 22:41

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.04.03
MTV: You sort of put youself on the shrink's couch with this album.

Madonna: I'm not into shrinks. Waste of time.



Nothing Fails



I'm in love with you, you silly thing

Anyone can see

What is it with you, you silly thing

Just take it from me



It was not a chance meeting

Feel my heart beating

You're the one



You could take all this, take it away

I'd still have it all

'Cause I've climbed the tree of life

And that is why, no longer scared if I fall



When I get lost in space

I can return to this place

'Cause, you're the one



Nothing fails

No more fears

Nothing fails

You washed away my tears

Nothing fails

No more fears

Nothing fails

Nothing fails



I'm not religious

But I feel so moved

Makes me want to pray

Pray you'll always be here



I'm not religious

But I feel such love

Makes me want to pray



When I get lost in space

I can return to this place

'Cause you're the one



I'm not religious

But I feel so moved

I'm not religious

Makes me wanna pray

I'm not religious

But I feel so moved

I'm not religious

Makes me want to pray



Nothing fails

No more fears

Nothing fails

You washed away my tears

Nothing fails

No more fears

Nothing fails

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publicado às 15:38

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.04.03
Começo este dia da Liberdade a concordar totalmente com o que escreveu o Pedro Mexia, no que diz respeito aos xiitas: "Se não fossem os americanos, os xiitas continuariam sem sangrar anualmente por um bigodudo medieval qualquer. Há trinta anos que não se podiam chicotear e anavalhar nas ruas, por causa do bigodudo de Bagdade. Agora podem. Graças a Bush. Mal-agradecidos." Tens toda a razão, Pedro. Não há nada pior que a ingratidão.

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publicado às 11:28

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.04.03
Nunca tive dores de cabeça em vint... em trin... em sejam quantos forem anos de existência. É verdade: nunca. A desculpa clássica do "ai, querido, hoje não que me dói a cabeça" não pegaria se alguma vez a quisesse empregar, porque sempre me gabei de tal feito: "Eu? Dores de cabeça? Que disparate! Isso é para flores de estufa!" Até ao dia de hoje: as veias laterais da cabeça a latejar, uma vontade incontrolável de vomitar, uma intolerância total à luz e a qualquer ruído, incluíndo os miados do gato. Durou cerca de três horas e o diagnóstico veio pelo telefone - cefaleia oftálmica. Aaaaaargh! Odeio quebrar a rotina...

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publicado às 20:53

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.04.03
Quatro da manhã, Lisboa.



- Carlos, amor! Acorda! Não vais acreditar. Tive quatro estrelas na votação do blogo!

- Que bom, amor...

- Passei a estar entre os blogues considerados óptimos! Mas porquê?

- Porque és óptima...

- Não adormeças! Vem ver! Mas o meu blogue não tem nada. Nem sequer comentários! Nem imagens, nem... nada! Ai que nervos!

- Amor, amanhã vejo...

- Estou vaidosa! Vou ficar (ainda mais) insuportável! Vou gritar para a varanda!

- Está bem, amor...

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publicado às 11:56

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.04.03
Do I have to change my name? Will it get me far?

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publicado às 10:24

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