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por Carla Hilário Quevedo, em 31.05.03
Os Globos de Ouro, Coliseu dos Recreios, Lisboa, ontem



Este ano consegui aguentar o espectáculo até ao fim da segunda parte. As pessoas de bem habitualmente saem antes do final da primeira parte, porque sabem que o mais engraçado é o jantar no Gambrinus e a festa que se seguem (sobretudo o primeiro). Este ano, havia alguma curiosidade pateta em saber se o Herman aguentaria a pressão ou não. Além disso, sabia-se que seria um espectáculo sóbrio de entrega de prémios. Assim, aguenta-se.



Dos Globos destaco as coreografias maravilhosas que acompanharam aquele tema tão jeitoso do Luis Filipe Reis e a do Momento do Pedro Abrunhosa. As russas vestidas de vaqueiras, com calções diminutos (nada contra, juro-vos) a abrirem e a fecharem as pernas suscitaram em mim um sentimento quase de terror. Os circenses que acompanharam o Pedro Abrunhosa fizeram uma coreografia lá deles. O sentimento de piedade veio por ocasião do discurso de agradecimento da Catarina Furtado, revelador de um desesperado pedido de emprego à SIC. Senti muito a ausência do Pedro Namora e do Adelino Granja. Mas o coirão da Felícia lá estava.



Mas vamos ao que interessa: o jantar no Gambrinus. Quero dizer que não volto ao Gambrinus porque ali já não se come bem. Os famosíssimos croquetes estavam massudos e picantes, as torradinhas outrora objecto do meu desejo estavam frias, o clássico meio bife não sabia a nada, as batatas fritas estavam cozidas... Horror! É que nunca mais. Ah! E a boazuda da Alexandra Lencastre estava sentadita ao meu lado. Sempre que a rapariga - de quem gosto muito - abria a boca, eu pensava: "É o Pipi! A Alexandra é o Pipi!" E isto pela linguagem e sobretudo pela graça e a inteligência com que a utilizava.



Por volta das quatro da manhã chegámos à festa no chatíssimo ex-T-Clube. Os fotógrafos já tinham ido dormir e perderam a Maria João Bastos a dançar descalça em cima dos sofás, a Marisa Cruz, a estilista Fátima Lopes e o marido todos juntinhos a fazerem fila para a casa de banho, todos juntinhos a dançar, todos juntinhos a sair, a cretinice do Jorge Mourato (que não é fotografável, ou talvez...), a magreza inesperada da Margarida Martins, a felicidade do casal Nabais. Mas estas festas do social têm poucas excitações; o máximo que pode acontecer é ver-se uma rapariga descalça, de resto... a verdade é que são lentas. A festa dos Manéis, em Abril, foi muito mais divertida e tenho esperança de ver alguma coisa desviante no almoço de amanhã na casa de um barão holandês decadente.

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publicado às 20:57

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.05.03
A partir de hoje, a época das festarolas está oficialmente inaugurada; which is nice, porque a Antiguidade Clássica e as etimologias são temas limitados. O próximo post será sobre os Globos de Ouro.

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publicado às 18:21

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.03
O grande egoísta que tem o palimpsesto com a parte da Poética referente à Comédia escondido debaixo da cama, que me escreva para bombainteligente@hotmail.com.

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publicado às 19:23

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.03
Na mesma aula



Aluna soporífera segunda: Quando lemos um livro sentimos a catarse; sentimos um alívio. É como se fosse uma espécie de cura.

Eu: Depende do livro. Só a perspectiva de ter de ler o Horace, de Corneille, me provoca vómitos.

Professor: Pronto, Carla...

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publicado às 19:20

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.03
Faculdade de Letras de Lisboa, há umas horas



Professor: O que é a catarse?

Aluna soporífera: É uma viagem, uma projecção daquilo que somos e o seu retorno a nós mesmos; é uma espécie de estranhamento e entranhamento.

Eu: Pois, é a Coca-Cola da Antiguidade...

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publicado às 18:57

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.03
Quero agradecer ao Frederico Lourenço por ter traduzido a Odisseia. Estou a ler de lagrimita ao canto do olho... Não morras nunca, Frederico!

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publicado às 16:13

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.03
Cenas da vida conjugal



- Não há nada pior que um gajo invejoso.

- Pior é ser serial-killer.

- Pois é, querido.

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publicado às 14:38

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.05.03
Gosto tanto do Jornal 2. Ainda há pouco ouvi uma jornalista no Tribunal de Monsanto a dizer o seguinte: "Será por esta porta que entrará Paulo Portas..."

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publicado às 23:54

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.05.03
Os brasileiros Pró-Tensão e Milton Ribeiro e o argentino Libros No conferem ao bomba inteligente o reconhecimento internacional por que tanto ansiava. Daqui a um nadinha estou a cantar no Olympia de Paris, ó se estou!

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publicado às 23:29

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.05.03
Também quero dar para o peditório das releituras e dizer que releio diariamente o abrupto e o pipi, o gato fedorento e a coluna infame, o modus vivendi e o tradução simultânea e releio, releio, releio...

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publicado às 22:52

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.05.03
É A CULTURA, ESTÚPIDO!



E é o último debate antes do Verão. No dia 4 de Junho, o Jardim de Inverno do São Luiz recebe a última volta ao mundo pelos livros do mês desta temporada. Anabela Mota Ribeiro faz a moderação do debate que conta ainda com a presença de alguns dos mais representativos críticos literários da nova geração, como Pedro Mexia e José Mário Silva. A componente mais "polémica" está a cargo de dois representantes de tendências políticas opostas – o colunista de O Independente, João Pereira Coutinho, e Daniel de Oliveira, colunista de A Capital. Desta vez, o convidado especial é Pacheco Pereira que vai falar sobre a sua experiência como um dos mais destacados "bloguistas" da "blogosfera portuguesa". No final do encontro, Ricardo de Araújo Pereira fala das "misérias" da nossa vida literária num número de stand-up comedy. Marque esta data na margem do seu livro favorito – 4 de Junho, ao fim da tarde… É a Cultura, Estúpido!



(Hehe... antecipei-me a postar isto. Julgo que desta vez vou estar presente... ou talvez não.)

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publicado às 01:12

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.05.03
Há uns dias, no meio de um post sobre umbigos, lancei uma provocação que de provocatório e inovador tem pouquíssimo: "Homero não existiu." Sobre esta frasezita recebi duas mensagens que passo a transcrever. A primeira é da Ana Albergaria e a segunda, do Cruzes Canhoto. A resposta segue depois.



Querida Charlotte



Podia estar aqui com rodriguinhos, mas tu e eu temos mais que fazer e portanto vou já ao busílis: Homero não existiu? Por favor, não me digas isso outra vez que eu juro que me mudo já para Felgueiras e desato a esbofetear políticos! E olha que falo sério! Não existiu??? Snif... isso não se faz; despedaçar assim o imaginário de uma rapariga homérica como moi même. Agora aceita um grande beijinho desta tua amiga Ana.




Cara Charlotte



Ia escrever para dizer que, mesmo não me chamando menino Jesus, gosto das tuas explicações etimológicas. Mas aquela do Homero não existir fez-me pensar duas vezes. A teoria mais aceite sobre o Homero actualmente é de que teria existido, mas seria apenas compilador de várias tradições orais? Porque achas que não existiu?




A presunção da omnisciência dá-nos muito jeito para falarmos sobre os vultos da Antiguidade (e sobre autores modernos, for that matter). Permite-nos falar sobre eles como se tivessem existido e os tivessemos conhecido. Acerca da existência de Homero sempre tive grande desconfiança (como se isso fosse alguma coisa de extraordinário) e essa dúvida surgiu por causa do significado do nome do autor: 'Omiros significa "uma promessa de união".



Além disso, persistem dúvidas sobre os dialectos utilizados na narrativa (são quatro), discordâncias entre estratos linguísticos e arqueológicos e incertezas quanto à fixação da data de concepção dos Poemas. Quem tenha lido a Ilíada (bocejo profundo) ou a Odisseia, lembrar-se-á das repetições constantes do discurso e das qualificações também repetidas até à exaustão das personagens. Lembram-se do Ulisses, o dos mil artífcios? As repetições (que tornam o texto muito maçador, os classicistas que me perdoem) provam que os Poemas eram um conjunto de histórias da tradição oral e que a necessidade de classificação das personagens estava relacionada com o processo de memorização; assim toda a gente sabia quem era o Ulisses, por exemplo.



Homero não existiu porque quem conta um conto acrescenta um ponto e quem o anda a contar há quase três mil anos já se perdeu há muito. Agora, penso que é preferível dizer: Homero não interessa. Ou melhor, Homero não é para aqui chamado.

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publicado às 00:48

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.05.03
O pastilhador carne enviou-me a seguinte mensagem:



Exma. Senhora Dona... Bomba



Permita que venha, não tanto formular uma pergunta, mas sobretudo requerer uma resposta. O que é diferente. E se me debruçar sobre esse tema uns minutos até lhe consigo explicar porquê. Mas agora não há tempo.



Nem agora nem nunca. Nunca houve tempo, o tempo não existe, isso é uma invenção dos religiosos, dos políticos e dos comerciantes... Bom, o tempo existe enquanto figura de estilo, não mais do que isso... Isto é, se ele de facto existisse podiamos debater o assunto à vontade, mas a prova de que o tempo não existe está, precisamente, em não o termos para isso. Para o debate... sobre ele próprio... E se não temos tempo para discutir o tempo, é bom sinal. De contrário estariamos a discutir uma coisa que não existe. E isso seria um desperdício... de tempo. Bom... Deixei cair cinza do cigarro em cima do teclado.



Mas vamos ao assunto sobre o qual se requer competente resposta: o que é isto que me impede de desistir?




Ora ainda bem que me faz essa pergunta... ou que me requere essa resposta. O que o impede de desistir é não acreditar em nada do que diz. Deve ser por isso que o carne pode ser escritor.

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publicado às 23:19

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.05.03
O Tradução Simultânea já avançou com a suspeita mais interessante da blogosfera: o Pipi pode ser uma gaja (arrisco-me a que a teoria da hiper-heterossexualidade caia por terra, mas não faz mal; a piada é mais importante). Se esta suspeita se confirmar (tudo indica que sim), está encontrada a musa para os infames. Sim, porque não me enganam: a Maria Bocchichio é um conhecido napolitano de barba rija.

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publicado às 23:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.05.03
Porque é que a secção Pedofilia (agora temos uma secção Pedofilia a par das secções Regional, Nacional, Internacional, Desporto...) do Diário de Notícias ínclui notícias como a do depoimento de João Soares sobre o caso Moderna, a possibilidade de haver outro apresentador para os Globos de Ouro, os comentários de Santana sobre a "birra" de João Soares etc.? Será um exemplo de mau jornalismo? Nã...

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publicado às 19:34

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