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por Carla Hilário Quevedo, em 03.07.03
Acordei a pensar que o Gregor Samsa provavelmente sofria de uma doença mental orgânica e tinha delírios de infestação.

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publicado às 07:32

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.03
O bomba hoje fez quatro meses. Agora é que percebi. Cutchi-cutchi-cu.

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publicado às 20:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.03
Ideia da semana: o Pacheco Pereira é o Graça Moura.

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publicado às 18:57

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.03
O meu marido gostava que eu fosse esta, mas aguenta-me porque me acha parecida com esta. Quando era miúda, queria ser esta, mas agora gostava de ser uma mistura entre esta e esta, ter uma pitada desta (dizem que já tenho, o que facilita a coisa) e, já agora, desta. Se este post repleto de angústias femininas não chega para definir o género de quem escreve estes textos, vou ali e já venho.

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publicado às 18:55

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.03
No outro dia, de cabeça puxada para trás no cabeleireiro lembrei-me do seguinte: o Cruzes Canhoto deve gostar de Heraclito. Isto porque há tempos tivemos uma discussão sobre a existência de Homero. Uma discussão que não pode levar a lado nenhum, como se imagina. E lembrei-me do Heraclito porque tem um fragmento que reza assim: "Homero merece ser expulso dos concursos e ser açoitado, bem como Arquíloco." (A tradução é da maravilhosa Maria Helena da Rocha Pereira.) Ó diabo... Estaria com certeza Heraclito a falar dos poemas homéricos e não do Homero propriamente dito, até porque o fragmento é situado entre os séculos VI e V a.C.



Percebe-se que Heraclito não goste de Homero. Os fragmentos "a mim mesmo me estudei" e "aos homens todos é dado conhecerem-se a si mesmos e saberem pensar" demonstram o oposto do que são os heróis homéricos: homens sem vontade, sem capacidade de decisão, sem consciência de si; governados pelos deuses que tudo decidem. Para o homem homérico não há escolha. Isto leva-me a pensar se haverá, de facto, tragédia nos poemas homéricos. Porque a tragédia não é só acreditarmos que o destino existe; que não podemos escolher. A tragédia é injusta, implica um desequilíbrio; um castigo demasiado pesado para o crime cometido. Afinal de contas, o que é isso de matar o pai para dormir com a mãe?

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publicado às 11:28

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.03
Tenho dois livros à minha frente, ambos de leitura obrigatória num muito curto espaço de tempo. São eles o Horace, do Corneille, e o The Death of Tragedy, do George Steiner. Optei pelo clássico um-dó-li-tá, cara de amendoá, o segreto coloreto quem está livre, livre... Lá terá de ficar o Corneille para outra encarnação. Como se tivesse alguma vez duvidado.

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publicado às 11:16

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por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.03
A loucura afeia as pessoas bonitas, embrutece as inteligentes, entristece as alegres; transforma quem não deseja a mudança. A loucura é uma espécie de queda, umas vezes repentina, outras mais lenta; mas uma queda. Por isso, não acredito que, por exemplo, o brilhantismo do génio se possa dever a uma coisa tão degradante como a loucura. Isso seria considerar a possibilidade de haver doenças boas e a palavra doença segue outro caminho, oposto ao da palavra bom.



Não há nada de encantador e fascinante na doença mental. O armazém da memória é assaltado e pela porta escancarada saem as ideias, a imaginação, a lucidez. Restam as prateleiras caídas, o pó levantado, as caixas desarrumadas, as faltas e a certeza da impossibilidade da reposição do stock. Não é o vazio, mas a confusão.

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publicado às 21:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.03
O Pipi respondeu de forma genial ao poema de VGM, publicado pelo Abrupto. Pela primeira vez, em muitos anos, dou por mim a olhar embasbacada para o ecrã. Obrigada Pipi, por nos surpreenderes diariamente.

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publicado às 12:31

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por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.03
Querem ver isto? Querem lá ver que vamos ter um Ponto de Encontro na blogosfera? O Horácio (desde já uma vénia pelo nome superior) do Blog de Vela fala do bomba e de mim de uma maneira muito carinhosa e diz que, em tempos, conheceu alguém como eu. Ora eu digo: impossível. Só podia ser eu própria. Horácio, se foste meu colega de carteira a Literatura Inglesa com o Professor Álvaro Pina, chamo o Henrique Mendes e temos programa. Se não, tens de decobrir essa tua amiga que também a quero conhecer.



O Horácio pergunta se já acabei de ler o The Good Apprentice, da Iris Murdoch. Ainda não, mas estou quase. Mas uma coisa já confirmei: não é possível ser uma boa pessoa sem se fazer coisas boas.

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publicado às 11:09

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por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.03
Uma vez que sou a responsável pelo boato de que o Vasco Graça Moura seria o Pipi, sinto que o seu poema, uma contribuição para a cultura portuguesa, agora publicado pelo Abrupto, a desmentir o boato se deve um bocado a mim. Peço desculpas ao Pipi e insisto que, se fosse verdade, teria muita graça.

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publicado às 01:08

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por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.03
O autor da nova fatiota do bomba é o estilista, designer e santo (porque tem muita paciência para os meus caprichos) Nelson do blogue A Espada Relativa. Obrigada!

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publicado às 00:27

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