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por Carla Hilário Quevedo, em 31.08.03
O Américo de Sousa pensou em mim enquanto eu pensava nele. São estas coisas estranhas da blogosfera que atrapalham pessoas racionais e que valorizam a lucidez acima de muitas coisas. Citar uma frasezita minha logo a seguir a citar o Mestre de todos os Mestres, o Ludwig, o Melhor de Todos, é para mim uma honra e um sinal de generosidade tão grande que tudo o que diga mais agora me parece estúpido. Recebo o elogio com uma vénia e retiro-me de cena hoje, durante o resto do dia.

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publicado às 11:54

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por Carla Hilário Quevedo, em 31.08.03
Tenho seguido com muita atenção os escritos do Retórica e Persuasão, um blogue muito cuidado, com um excelente tom e, como se não bastasse, útil e informativo.



Gostaria de fazer três perguntas ao Américo de Sousa:



1. a ambiguidade é um erro?

2. Se seguirmos todos os passos na escrita, por exemplo, de um encómio, podemos ter uma garantia de que os nossos leitores serão convencidos?

3. Será a Retórica uma espécie de tentativa de normalização do discurso?



Sim. Foi a cereja Wittgenstein que o Américo colocou no seu blogue que me levou a escrever este post. Que bom exemplo de eloquência! Lembrei-me de mais dois excelentes exemplos de eloquência que li recentemente em Wittgenstein's Poker. Confrontado com as preocupações interpretativas de Rudolf Carnap, o filósofo austríaco terá dito: "Se não lhe cheira, não o posso ajudar. Ele simplesmente não tem nariz." Mas a ruptura terá chegado com Wittgenstein a acusar Carnap de plágio e com a frase demolidora: "Não me importo que um rapaz roube as minhas maçãs, mas importo-me que ele afirme que lhas dei." E assim se constrói a autoridade.

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publicado às 11:35

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.08.03
Acordar cedíssimo a um sábado de manhã pode garantir umas boas horas de pasmaceira a ver a MTV ou a saltar de canal em canal, em busca de um programa que proporcione diversão. Hoje, graças à SIC Mulher, assisti a uma repetição do programa Encontro Marcado, em que Simone de Oliveira entrevistou Rita Ferro.



Começa Simone sem piedade: "No És Meu, há um problema de ciúme; há um problema de posse; há um problema de morte."



O meu comentário: e há um problema de semântica; há um problema de sintaxe; há um problema de falta de talento.



Ao mesmo tempo que a Rita Ferro fala sobre as coisas mais espantosas - do género "tenho uma parte negra dentro de mim", e "já tive a fase Lobo Antunes, que passou e já tive uma fase Torga, que também já passou" -, passa no rodapé uma pergunta a que urge responder: "ler: obrigação ou prazer?" Esperei, esperei... Não é que ficou sem resposta?



E o golpe de misericórdia é dado a meio da conversa.

Simone: "Quem é a Rita Ferro?"

Rita Ferro: "Boa pergunta."



Deixo aqui para bons momentos de galhofeira algumas frases da Simone e da Rita.



"Acho que o John le Carré é muito masculino e que a Lídia Jorge é muito feminina." (Rita Ferro)



"Acho que somos fortíssimas." (Simone de Oliveira. Rita Ferro a concordar com entusiasmo.)



"Sou diferente por dentro e por fora." (Rita Ferro. Simone chateada por não se ter lembrado desta primeiro.)



"Estou cheia de projectos." (Rita Ferro)



E após uma hora bem passada...

Simone: "O que é que a preocupa mais?"

Rita Ferro: "Logo a seguir à fome, logo, logo a seguir, a pior desgraça de todas é a sobre-informação, que faz pessimamente às pessoas, sobretudo à hora das refeições."

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publicado às 12:13

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.08.03
Às muitas pessoas que levaram a sério a minha frase acerca de uma eventual ida à Costa Rica, peço desculpas por descaradamente ter mentido. Achei que podia ser divertida a imagem de "ser apanhada" por uma pergunta de um blogueador e ter de pousar as malas já feitas para investigar, analisar e responder. Digamos que ficcionei a coisa e o resultado foi uma série de e-mails a desejar boa viagem. Obrigada por acreditarem sempre em mim.

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publicado às 07:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.08.03
Há coisas que me comovem. Uma é o nascer do sol, a outra, um blogue que escreve correctamente a abreviatura da palavra senhora (Sr.ª). E sim, estou a falar-vos d' A Tasca da Cultura . O autor tem um gato de seu nome Jeremias (esse nome de Presidente do Conselho de Administração só pode ser de um gato rafeiroso. Trata-se de perceber que no mundo existe a chamada lei da compensação...); gosta da bela da bonecada inocente, de preferência com algum movimento; é poeta nas horas livres e graças aos Céus não faz disso profissão; já deu uma entrevista à Maria Elisa e fala sobre a arte e o artista com a distância de quem percebe daquilo com que goza. Bem-vindo à blogosfera!

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publicado às 07:20

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.08.03
Anda uma pessoa a preparar-se para um belo blogus interruptus e é surpreendida por uma mensagem do Avatares do Desejo: "Senhora Dra. Bomba, etimóloga e karaokista [olha, como é que o gaiato sabe?], gostaria de saber qual a origem das palavras rezar, orar e rogar. Um seu criado, Bruno." Diacho do blogueador que me apanhou mesmo já de malas feitas de partida para a Costa Rica. Assim, não tenho outro remédio senão o de prolongar a vida do bomba.



Trata-se de três vocábulos de origem latina. Rezar vem do latino recitare, que significa "fazer a chamada das pessoas citadas a comparecer em tribunal" (re- + citar: citar mais uma vez), ou ainda "ler em voz alta". O verbo orar é o latino orare sem tirar nem pôr. E o significado é o de "pronunciar uma fórmula religiosa, fazer uma súplica, implorar". O que nos leva à palavra rogar ou rogare, que em latim tem o sentido de fazer uma pergunta (e que vemos claramente no português interrogar). E pronto.

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publicado às 20:03

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.08.03
Porque o passatempo de Verão ainda não acabou, dedico estes versos da canção Stop das míticas Spice Girls ao querido Pedro Lomba.



Stop right now

Thank you very much

I need somebody with a human touch

Hey you

Always on the run

Gotta slow it down baby

Gotta have some fun



Bons pensamentos, boas leituras e boas escritas!

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publicado às 09:45

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.08.03
Na consulta da Academia



- Professor, não durmo há duas semanas.

- Mas porquê?

- Porque não tenho sono.

- Mas tem alguma coisa a ver com as leituras que lhe receitei?

- Sim, a minha cabeça não pára e duvido de tudo o que digo. E do que escrevo então...

- Óptimo. Vamos fazer uma pausa nessas leituras anfetamínicas.

- Mas estou a gost...

- Ora bem. Nada como uma bela tragédia para limpar essa cabeça. Começamos com a Oresteia.

- Quando li o Agamémnon tive um soninho descansado.

- Pois agora leia as Coéforas e as Euménides e quero vê-la outra vez no dia 10 de Setembro.

- E se continuar a ter insónias?

- Um comprimido inteiro de Lendormin, 30 minutos antes de deitar, durante uma semana.

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publicado às 11:15

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.08.03
Estive até agora a pensar (e são já muitas horas passadas nisto) na frase que escrevi aí em baixo: "Este é um exemplo do que gosto: de coisas que duram quase para sempre". Não. Do que gosto é das coisas que duram para sempre. Ou seja, do que gosto é das coisas que não existem, porque nada dura para sempre. Mas se não existem, não posso gostar delas.



O facto de o diário ter páginas suficientes para cinco anos de escrita agrada-me. Mas cinco anos não é para sempre. E se for, é algo que só saberei a posteriori, ou seja, depois da morte; ou melhor, é algo que nunca saberei. Saber que o diário dura cinco anos (que é muito tempo para um diário) leva-me a mentir.



Tudo isto para dizer aquela frase é falsa, mas percebe-se o que quero dizer. E com estes disparates vivemos alegremente.

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publicado às 10:57

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.08.03
Hoje, pela fresca, verifiquei que na caixa de correio estava o novo catálogo da Smythson. Li-o com carinho e atenção, a sonhar com o papel de peso-pluma, capas de pele de cabra em cores improváveis (verde-água, por exemplo). Neste catálogo da colecção Outono-Inverno, que não está disponível online, comovo-me com o diário de cinco anos desta marca de luxo irrepreensível. Este é um exemplo do que gosto: de coisas que duram quase para sempre.

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publicado às 11:43

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.08.03
Estou maravilhada! O Alberto Gonçalves é um homem completo. Como, aliás, um homem a dias tem de ser: talentoso, com um sentido de humor incisivo e elegante, génio informático e, ainda por cima, detentor de um exemplar da magnífica edição de capa azul da Gulbenkian do Tratado do Ludwig. Quero agradecer-lhe a ajuda preciosa na sofisticada operação de aumento do tamanho da letrita dos links da minha lista de blogues.

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publicado às 11:34

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.08.03
Por agora, o bomba de ouro vai paaara: Filosofia e Bolachas!



Limitando-me ao panorama mainstream da actualidade:



"Feel good, feel good / it's the same old game / feel good, feel good / don't got no more brain"- Feel Good

Time, Pink.



"Sou inconsciente / como a gravidez adolescente"- Não Percebes, Sam The Kid.



"Shortie, it's your birthday / we gon' party like it's your birthday / we gon' drink barcadi like it's your birthday / and we don't give a fuck it's not your birthday"- In Da Club, 50 Cent.



"Uh-oh, uh-oh, uh-oh / uh-oh, uh-oh, uh-oh" - Never Leave You, Lumidee.



"Whatever floats your boat / or finds your lost remote" - The Whole World, Outkast.



"Go downtown / and eat it like a vulture"- Work It, Missy Elliot (de facto, eu diria que qualquer parte desta canção serviria para pôr aqui... a Missy Elliot realmente é uma das letristas mais brilhantes da actualidade, e não estou a ser irónico).



"Mister you're on fire mister! / no sir, I'm ok!" - Mr. You're On Fire Mr., The Liars.



"Y'all cats were just too blind to listen" - Multiply, Xzibit.



"Rah rah like a dungeon dragon"- Pass The Courvosier, Pt.2, Busta Rhymes.

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publicado às 23:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.08.03
Leio o Abrupto todos os dias, como se fosse uma espécie de Pai-Nosso, ao qual não resisto, a que não posso escapar. Isto por uma razão muito simples: o Abrupto tem muita qualidade. Gosto dos textos (e só o maradona sabe como me custa ler textos com erros e gralhas), gosto das imagens, gosto muito do gosto que o Pacheco Pereira tem no seu blogue, no orgulho absolutamente compreensível que tem no que faz.



O Abrupto, em tempos, acusou os blogues da UBL de fazerem comentários carloscastrianos acerca do jantar que se realizou. As respostas seguiram-se (e foram muitas). Até aqui tudo normal. O único problema é que o próprio Abrupto farta-se de os fazer. Passo a explicar. O Carlos Castro é um avaro de referências. É o rapaz que faz comentários do género "aquela de Cascais que levou o vestido e não pagou e que toda a gente sabe quem é mas agora não digo". O que se passa é que o CC é um cobarde, porque fala das pessoas sem as mencionar. Nada disso aconteceu nos comentários do jantar da UBL, mas acontece frequentemente no Abrupto.



Exemplo disto que digo é o mais recente texto intitulado "Early Morning Blogs 32", que transcrevo.



Os geógrafos têm um conceito para estudar a parte “humana” da sua disciplina – os “lugares centrais”. Na nossa blogosfera também há “lugares centrais”: um é o Magnólia, outro a FNAC do Chiado. Do Magnólia nada posso dizer porque não conheço. Quanto à FNAC do Chiado intriga-me que nunca haja referências à FNAC do Colombo. Estranho, até porque a FNAC do Colombo é muito melhor do que a do Chiado… Porquê? Será que moram todos no Chiado? Os nossos autores de blogues não entram em centros comerciais? Só vão directamente para as livrarias?



Bom, como referi ontem uma conversa que tive na Fnac do Chiado, a carapuça Prada serve-me perfeitamente. Também deve servir ao Pedro Lomba e ao Pedro Mexia e, provavelmente, a mais uma série de blogueadores que escreveram alguma vez sobre a Fnac do Chiado. Mas toca a responder às perguntas que o post já vai longo!



1. A secção de textos da Antiguidade Clássica da Fnac do Colombo é muitíssimo mais fraca do que a do Chiado;

2. não moro no Chiado, mas moro no Rato (não lhe posso dizer a morada por razões óbvias);

3. o único centro comercial a que vou é ao das Amoreiras, porque é muito perto da minha casa;

4. não existe uma relação directa entre centros comerciais e livrarias.



E pronto. Deixe lá, ó Abrupto. Também gosto de si.

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publicado às 13:19

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.08.03
Do blogue A Origem do Amor chega pela fresca uma sugestão de versos engraçados em músicas que não interessam fixar.



Um dos maiores êxitos do Verão passado foi As Meninas da Ribeira do Sado. O meu contributo para este vasto reino da pop single alentejana, é uma música que aprendi quando pequeno, em Vila Verde de Ficalho, terra de mê pai, que embora não seja conhecida do grande público merecia figurar no Top Ten Português. Segundo o meu já falecido Ti Chico, a cantoria rezava assim:



(cantar com sotaque alentejano e repetir sempre cada frase uma vez)

Olha a gata, olha a gata, que me foi à salgadeira,

Comeu o toucinho todo que estava na frigideira.

Que estava na frigideira, que estava pra mim guardado,

Lá vai ela, lá vai ela, com o rabo apendurado.

Com o rabo apendurado, com o rabo à rés-do-chão,

Lá vai ela, lá vai ela, olha a gata dum cabrão.




É incrível o que se pode fazer com três ou quatro palavritas...

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publicado às 11:22

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por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.03
Na Fnac do Chiado



- Tem o Tratado Lógico-Filosófico?

- Só uma tradução em francês.

- Não tem aquela edição de capa azul da Gulbenkian?

- Está esgotada.

- Ah, então é bom sinal!

- Está esgotada há dez anos.

- Então é péssimo sinal!

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publicado às 21:56

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