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por Carla Hilário Quevedo, em 09.11.03
Ando preocupada. Estarei a tornar-me conservadora? Pois para responder a esta pergunta (conto com a ajuda do João, do Carlos e do Nuno) preciso de falar um bocadinho (muito pouco) sobre a minha atitude na vida. Dou um exemplo. Há uns meses, mesmo por baixo do prédio onde moro, abriu um bar de strip. No início, não vi o caso com bons olhos. Pensei que o sítio atrairia uma chungalhada que não interessava ao bairro, que ia haver barulho, além de a fachada branca e horrível do bar destoar completamente dos edifícios que o rodeavam. Digamos que a minha recepção ao bar foi equivalente a um franzir de sobrancelha.



O tempo passou. As famílias do prédio em que moro uniram-se na luta contra a imoralidade que ali se passava e inventaram uma petição ou qualquer coisa do género para expulsar as russas e as ucranianas dali. Novo franzir de sobrancelha. "Eu não assino", respondi. "Agora habituei-me ao bar e até acho que o porteiro é bom para o bairro. E as raparigas são só preguiçosas que não fazem mal a ninguém." Houve mais quem respondesse da mesma maneira e a intenção dos reaccionários (a palavra está mal utilizada?) não foi cumprida.



Não será esta uma atitude conservadora? Primeiro desconfia-se da mudança. Depois aceita-se a realidade e, sobretudo, nada se faz para a alterar. Ora se é assim, então o conservadorismo como opção política parece-me ineficaz porque este adiamento constante de decisões não é compatível com a necessidade de soluções diárias que os problemas de qualquer país precisam. Mas no dia-a-dia parece-me uma atitude sábia; aquela que nos dá mais tranquilidade.



A verdade é que nunca fui grande provocadora de mudanças, mas gosto de ter capacidade de decisão na minha vida diária. Mas decido quando os problemas aparecem. Não penso na decisão antes de haver o problema. A minha atitude perante as coisas novas é 1) "olha, temos ali um bairro de ciganos"; 2) "não parece ser muito bom porque são diferentes de nós"; 3) "deixa ver no que dá"; 4) "olha ainda lá estão e está tudo bem"; 5) "são diferentes de nós e aceito que assim seja".



Entretanto resolvi fazer o Political Compass outra vez. Quando fiz o teste há uns meses, tinha ficado no meio do quadrado dos libertários de direita (não fixei as coordenadas). Agora desloquei-me um nadinha para cima na escala social (libertária / autoritária) - economic left/right: 4.62; libertarian/authoritarian: -0.56. O João Miranda, o que achará disto?

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publicado às 10:00

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por Carla Hilário Quevedo, em 07.11.03
Outra coisa que se pode fazer numa noite de insónia é telefonar aos amigos que vivem noutro fuso horário (ou noutro planeta), como por exemplo, em Pequim. A minha querida amiga Nani (correspondente do bomba, se bem se lembram) continua a viver no país do Absurdo, mas não há meio de perder a lucidez. Graças a Deus.



- Nani, estou quase a despedir-te do bomba. Nunca mais escreveste nada e o teu público chama por ti.

- Deixa-me acabar a tese que depois escrevo.

- Então depois da tese já sabes: escreves de borla para o blogue.

- Pois, depois do abismo... o blogue.

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publicado às 09:03

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por Carla Hilário Quevedo, em 07.11.03
E o que é que se faz numa noite de insónia? Come-se torradas com doce de laranja e faz-se um teste de personalidade.



The Big Five Personality Test
Extroverted|||||||||||||| 58%
Introverted |||||||||||| 42%
Friendly |||||||||||| 50%
Aggressive |||||||||||| 50%
Orderly |||||||||||||||| 66%
Disorderly |||||||||| 34%
Relaxed |||||||||||||| 60%
Emotional||||||||||40%
Intellectual |||||||||||||| 56%
Practical |||||||||||| 44%
Take Free Big 5 Personality Test

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publicado às 05:57

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por Carla Hilário Quevedo, em 05.11.03
As minhas desculpas à Papoilinha e ao RRP por não ter ainda respondido às perguntas sobre etimologia que ambos tão gentilmente me fizeram. Não tenho andado com paciência para as palavras. Nada que um tratamento com banhos frios não resolva.

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publicado às 23:37

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por Carla Hilário Quevedo, em 05.11.03
Fico sempre comovida quando dois autores dos meus blogues favoritos se juntam para conversar. Desta vez foi o Senhor Carne que deu uma entrevista à Tasca da Cultura. Vão lá ler!

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publicado às 11:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 04.11.03
Leio no blogue da superquerida Amélia que o blogue A Memória Inventada retirou o linque para o blogue do Pipi. Oooooohhhhhh... E agora? Como vamos chegar à 33.ª edição ainda este ano sem a preciosa colaboração do A Memória Inventada? Estou tão arreliada.

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publicado às 18:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 04.11.03
Cenas da vida conjugal



- Precisamos de mais uma frase para a cinta do Pipi. Já temos duas, mas três ficava melhor.

- Hm... "O Meu Pipi já faz parte do cânone", Harold Bloom.

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publicado às 10:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 04.11.03
Cenas da vida conjugal



(Ontem, o casal luso-argentino e o gato Varandas a assistir ao Quem Quer Ser Milionário)



- Ai que a criatura não sabe que a resposta é Pierre de Coubertin!

- Giro, giro era se tivesse chegado aos 125 euros e tivesse dito que ficava por ali.

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publicado às 10:01

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Anda tudo a elogiar a entrevista do Presidente da República, na RTP. Aquela parte dos palavrões incomodou-me um bocadinho, embora não tenha percebido exactamente porquê. Foi José António Lima, no Expresso, que explicou a razão do meu mal-estar: "Mas naquela que constituiu, talvez, a sua melhor entrevista como Presidente, houve um momento lamentável. Sampaio não pode, a propósito das escutas telefónicas dizer o que disse com a maior das leviandades. 'Rio-me e faço brincadeiras' (com a hipótese de estar a ser escutado). 'Agora ouçam lá o que estou a dizer. Zás! Cinco palavrões!' Quem faz as escutas é gente desprezível e sem qualificação, semelhante aos esbirros da Pide e da Gestapo como dizem alguns? Ou são funcionários públicos a mando das determinações de um juiz e num regime democrático? Já nem o Presidente da República mostra respeito pelo funcionamento das instituições judicias e das leis que ele próprio promulga?"

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publicado às 23:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Calma, Mephisto! Sossegue, criatura nauseabunda. Falarei sobre mais disparates. A seu tempo. É que um disparate é pouco, mesmo que seja grande. Como é o caso do seu blogue... inteiro. E agora uma carucha para ilustrar este post ;-)

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publicado às 22:30

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Cenas da vida conjugal



- Querida, hoje temos Pacheco e Marcelo!

- Hihá!

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publicado às 20:37

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
A solução do problema



Julgo que Ludwig Wittgenstein gostaria da criação dos smiles na Internet. Digo isto porque já Wittgenstein utilizava essas caruchas nas suas aulas para ilustrar o seguinte: “Se fosse um bom desenhador, poderia transmitir um número inumerável de expressões com quatro traços. Palavras como ‘pomposo’ e ‘imponente’ podem ser expressas através de caras. Ao fazê-lo, as nossas descrições seriam muito mais flexíveis e variadas do que o são enquanto expressas por adjectivos. (...) De facto, se queremos ser exactos, usamos um gesto ou uma expressão facial” (Aulas e Conversas, Ludwig Wittgenstein, tradução de Miguel Tamen, Cotovia).



Os smiles são, como sabem, aqueles bonequitos com um sorrisinho ou vermelhinhos raivosos ou com ar tristonho ou com um coração de lado etc. Cada expressão de cada smile tem um significado diferente e dá um aspecto ao que queremos dizer. Porque as palavras não chegam. As que utilizamos para responder a uma pergunta são as mesmas que utilizamos para responder a outra totalmente diferente. As carinhas desenhadas estão assim mais perto dos juízos do que os adjectivos.

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publicado às 18:51

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Gostar de gostar de gostar de...



Dizemos muitos disparates diariamente. Imensos. Utilizamos muito as palavras às três pancadas porque temos problemas de pensamento, de limpeza de cabeça, de arrumação e de grande falta de espírito crítico e ainda de incapacidade de pormos em causa as frases que damos por garantidas como verdadeiras ou como aquelas que fazem sentido. Só problemas.



Tenho lido por aqui e por ali esta frase: “gosto muito de gostar”. É uma frase que ouvimos da boca de qualquer manequim ou ainda de intelectuais, de jogadores de futebol e de políticos. Mas a frase tem um problema que não é exclusivo da língua portuguesa (o verbo é transitivo em inglês, alemão, espanhol, francês e grego, por exemplo): o verbo gostar em português é regido pela preposição de. Ou seja, não podemos, por razões de sintaxe, apenas gostar. É uma frase que soa bem a muitos, dá um ar poético (ugh!) à coisa e convence os distraídos. Mas é um disparate. Sem consequências graves. Mas é um disparate.

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publicado às 18:50

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