Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



...

por Carla Hilário Quevedo, em 31.01.04
N' A Ilíada, Hera quer seduzir Zeus (por um motivo que agora não interessa, como a vitória de Agamémnon e das tropas gregas na Guerra de Tróia). Afrodite dá-lhe uma espécie de banda ou fita bordada para que ponha à volta do peito e assim garanta o sucesso do plano. Zeus, encantado por Hera, tem uma fala extraordinária, que oscila entre a piada e a prova de que mesmo os deuses percebem muito pouco de mulheres: "Hera, you can choose some other time for paying your visit to Okeanos - for the present let us devote ourselves to love and to the enjoyment of one another. Never yet have I been so overpowered by passion neither for goddess nor mortal woman as I am at this moment for yourself - not even when I was in love with the wife of Ixion who bore me Peirithoos, peer of gods in counsel, nor yet with Danae the daintily-ankled daughter of Acrisius, who bore me the famed hero Perseus. Then there was the daughter of Phoenix, who bore me Minos and Rhadamanthus: there was Semele, and Alkmene in Thebes by whom I begot my lion-hearted son Herakles, while Semele became mother to Bacchus the comforter of humankind. There was queen Demeter again, and lovely Leto, and yourself - but with none of these was I ever so much enamored as I now am with you." Homero, A Íliada, XIV, 376-394.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:23

...

por Carla Hilário Quevedo, em 31.01.04
Objectivos de vida parecidos: "There is no comprehension, there is real isolation, there is so much destruction, what I want is a celebration". Love Profusion, Madonna.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:33

...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.01.04
"A boas palavras responde com boas palavras", As Suplicantes, Ésquilo, datação muito problemática - quatrocentos e muitos a. C.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:49

...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.01.04
Pedido ao Abrupto: já que está por essa zona do globo, traga umas latinhas de caviar, por favor. A blogosfera agradece. Ou melhor, eu agradeço.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:49

...

por Carla Hilário Quevedo, em 27.01.04
A favor da estupidez



A morte provoca a estupidez que está em todos nós (uns têm-na em maior dose do que outros), por vezes durante muito tempo sossegada, porque nos confunde; porque quase sempre não percebemos como acontece. Anteontem, Miklos Fehér, de 24 anos, morreu à vista de todos e isto (um rapaz de 24 anos morrer de repente e morrer connosco a assistir) está para além do nosso entendimento. Procuramos explicações, porque aquilo que se passou ontem não se pode passar simplesmente assim. Mas pode. E acontece. É uma injustiça e é irreversível e por isso é que é trágico. Mas nós não aceitamos mesmo sabendo que não nos vale de nada refilar. É por isso que nos últimos dias se disseram as coisas mais absurdas, mais ridículas e até ouvimos e lemos frases que parecem ofensivas. Pode até ser preferível ficar calado. Mas a indignação neste caso parece-me saudável. Que a estupidez seja agora tolerada e que nos indignemos todos porque podemos fazê-lo. Ainda bem para nós.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:58

...

por Carla Hilário Quevedo, em 26.01.04
Horrível a notícia da morte do jogador do Benfica, Miklos Fehér, de 24 anos. Sempre ouvi dizer que quanto mais novo se é, menos hipóteses há de escapar à morte na sequência de uma paragem cardio-respiratória, enfarte do miocardio ou ataque cardíaco. Mas esta explicação foi sempre acompanhada do seguinte argumento: "isto porque há uma doença cardíaca que, habitualmente, não é detectada." Pergunto-me que, se assim é, como é que a doença não se detecta em atletas de alta competição.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:12

...

por Carla Hilário Quevedo, em 25.01.04
Etimologia hebdomadária



O Luís Carmelo pergunta-me qual é a etimologia de apagoge. Apagogí (este último "i" lê-se "ê" e é escrito com um eta, que corresponde graficamente ao nosso "h") é um vocábulo composto pela preposição apó, que expressa afastamento, distância (de) e pelo verbo ágo (este "o" é um omega), que significa conduzir. O correspondente de apagogí seria em latim abduco: ab + duco, cujo significado corresponde ao grego. O rapto, ou a abdução, não será uma interrupção, um desvio num caminho? Tirar algo de um sítio em que habitualmente está para pôr noutro menos habitual? Já se fizeram teorias da linguagem com menos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:19

...

por Carla Hilário Quevedo, em 25.01.04
Objectivos de vida parecidos: "All I wanna do is have a little fun before I die", Sheryl Crow.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:28

...

por Carla Hilário Quevedo, em 25.01.04
Madman



Every child has a madman on their street;

The only trouble about our madman is that he's our father.



Paul Durcan, A Snail In My Prime.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:36

...

por Carla Hilário Quevedo, em 24.01.04
Lost in Translation é também um poema de James Merrill. Pode ser lido aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:00

...

por Carla Hilário Quevedo, em 24.01.04
"Those who are esteemed umpires of taste are often persons who have acquired some knowledge of admired pictures or sculptures, and have an inclination for whatever is elegant; but if you inquire whether they are beautiful souls, and whether their own acts are like fair pictures, you learn that they are selfish and sensual. Their cultivation is local, as if you should rub a log of dry wood in one spot to produce fire, all the rest remaining cold." Ralph Waldo Emerson, The Poet, 1844.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:56

...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.01.04
De lágrima ao canto do olho



"Parece que o governo chinês realmente desclassificou a blogosfera e já não a considera uma ameaça eminente para a grande nação chinesa", escreve-me a inteligentíssima correspondente do bomba. Minha querida, agora que me estás a ler e aqui à frente de toda a blogosfera, peço-te: volta.



(silêncio dramático)



Pronto, já percebi. Então faz um blogue e envia a morada. (Morro de saudades... pronto, já paro com isto. Pronto. Ai. A sério que paro! Não estou a fazer nada, pá! Mas podias voltar... pois podias... pronto, está bem. Eu sei que não sou a tua mãe, mas... eu gostaaava... vá lá... volta só um bocadinho. Pliss. Voltas um bocadinho e depois vais à tua vida. A sério. Juro que nunca mais te peço nada. Juro. Olha, não tenho os dedos cruzados. E a língua de fora! Oooolta. Pronto. Plis.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:59

...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.01.04
O submundo do submundo da blogosfera



Depois deste excesso literário dos últimos dias, passei o dia nas massagens. Levo a lei da compensação muito a sério. Não se brinca com a lei da compensação, ah pois não. Sempre que um prato da balanço fica mais em baixo trato logo de o restituir à sua posição habitual. Sim, à posição de equilíbrio.



Quando chego a casa e ligo o computador, vejo que a minha caixa de correio está a arder! Uma fogueira mais alta do que a dos livros não desejados pelo Abrupto! Há sangue mas nem se vê; gritos de horror e manifestações de dor (isto agora correu bem). Na minha caixa de correio, há claques que clamam por uma e por outra tradução. "Que horror! O Kavafis deve estar a dar voltas na tumba!" grita uma, "porra, porra e mais porra!" grita a outra, "as traduções inglesas é que são boas!" berra uma terceira e "Porto! Porto! Porto!" insiste outra. No meio da confusão, um aproveitador da minha ausência deitou um cigarro ansiosamente fumado para o chão e puf. Recolho as cinzas.



Agora a sério. Obrigada pelas mensagens que me enviaram nestes últimos dias. Inflamadas, inteligentes, divertidas. Ah, e também há um poema de Kavafis que traduzem sempre mal...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:00

...

por Carla Hilário Quevedo, em 22.01.04
Vasco Graça Moura traduziu o poema Mar da Manhã, de Konstandinos Kavafis, a partir das explicações que aqui apresentei e comparando as várias traduções do poema. Gosto desta versão, porque devolve o ritmo ao poema e, sobretudo, gosto do tom. Compreender o poema é também compreender a língua, mesmo sem a saber. Muito obrigada.



Mar da manhã



Deter-me aqui. E olhar um pouco a natureza.

Mar da manhã e um céu sem nuvens,

brilhar do azul e orla amarela; e tudo

belo, grande, iluminado.



Deter-me aqui. E iludir-me a ver isto

(sim, por instantes o vi, quando aqui parei)

e não, também aqui, meus devaneios,

recordações, imagens do prazer.



Tradução de Vasco Graça Moura

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:44

...

por Carla Hilário Quevedo, em 21.01.04
Mas há mais poemas de Kavafis e mais traduções com as quais não concordo nada! A partir de agora, já sabem: Kavafis durante a semana e etimologia aos domingos. Sim porque com o blogue não se brinca, ouviram? Mau...



Ah, e um beijo de reboas-vindas ao autor do melhor blogue da blogosfera e arredores: o Alberto Gonçalves.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:12

Pág. 1/4