It's so hard to find someone to admire*
Até ontem pensava que a Madonna não existia. Julgava que era apenas uma imagem que, por muitas razões, me acompanhara nos meus últimos quase 20 anos de vida. Apercebi-me disso quando me arrepiei toda ao vê-la a fazer uma magnífica ponte seguida de um belíssimo pino logo no início do espectáculo. Nem sei do que gostei mais, se do tango em
Die Another Day; se do segundo tema que cantou sozinha em palco,
Nobody Knows Me, de que gosto quase tanto como de
Holiday; se da cadeira eléctrica, em que se apresentou com um cabelo e uma maquilhagem irrepreensíveis; se da produção multimédia absolutamente deslumbrante que acompanhou todo o espectáculo; se das bailarinas penduradas em trapézios; se das imensas provocações ao público (disse em português: "obrigado", "como estão?" e "estão contentes?"); se da abertura de pernas a que ninguém, nem a mulher mais heterossexual desta terra, pode ficar indiferente; se do kilt, correctíssimo; se da língua na guitarra assim como quem não quer a coisa... Na roda de raparigas em
Papa Don't Preach até me vieram as lágrimas aos olhos. De repente tão infantil, tão simples. Peço desculpa aos que vão ver o espectáculo hoje. Não quero desvendar tudo, mas por muito que conte, nada substitui o que vi. Inesquecível.
*Nobody Knows Me, American Life.