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por Carla Hilário Quevedo, em 30.12.04
... e um bom, muito bom, ano novo



Para o final deste ano de 2004, deixo-vos com a alegria pessimista do best-seller de Kavafis, o poema Ítaca, com tradução da minha autoria e livre do original em grego moderno. Para sairmos em beleza. Pode ser que assim lá cheguemos.



Ítaca



Quando começares a tua viagem para Ítaca

anseia por que o caminho seja longo,

cheio de aventuras, cheio de conhecimento.

Dos Lestrígones e dos Ciclopes,

do irado Posídon não tenhas medo,

nunca encontrarás coisas dessas no teu caminho,

se o teu pensamento se mantiver elevado, se um distinto

sentimento o teu espírito e o teu corpo tocar.



Os Lestrígones e os Ciclopes,

o feroz Posídon não encontrarás,

se não os carregares na tua alma,

se a tua alma não tos apresentar.



Anseia por que o caminho seja longo.

Que sejam muitas as manhãs de Verão

que com tal satisfação, com tal alegria,

entrarás em portos pela primeira vez;

pára em mercados fenícios,

para adquirires as boas mercadorias,

madrepérolas e corais, âmbares e ébanos,

e perfumes inebriantes de todos os tipos,

a maior quantidade de perfumes inebriantes;

visita muitas cidades do Egipto,

para aprenderes e aprenderes dos sábios.



Mantém Ítaca sempre no teu pensamento.

A chegada aí é o teu propósito.

Mas não apresses de maneira nenhuma a viagem.

Melhor que dure muitos anos;

e que chegues velho à ilha,

rico com tudo o que ganhaste no caminho,

não esperando que Ítaca te dê riqueza.



Ítaca deu-te a bela viagem.

Sem ela nunca terias começado.

Mas não tem mais nada para te dar.



E se a encontrares pobre, Ítaca não te enganou.

Assim que te tornaste sábio, com tanta experiência,

terás já percebido o que as Ítacas significam.



Konstandinos Kavafis, 1910

Tradução de Carla Hilário Quevedo

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publicado às 17:14

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.12.04
"Nada é mais triste do que ver o ódio sobrepor-se à necessidade": a ler, com urgência, este texto e também este, do Nuno Guerreiro, no Rua da Judiaria.

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publicado às 13:53

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.12.04
Eu hoje acordei assim...





Raquel Welch



... embora avisada pela querida Ana do frio de rachar e de ser melhor acordar agasalhada. Coisas que não percebo...

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publicado às 09:32

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.12.04
Move along, there's nothing to see here: para o Fora do Mundo, que depois de nos brindar com um poema em húngaro continua a deixar-nos à míngua com um poema em islandês já lá vai uma catrefada de dias.

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publicado às 14:36

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.12.04
Bomba de Ouro



Ciência poética



Átimo de pó

(Carlos Rennó-1997)



Entre a célula e o céu

O DNA e Deus

O quark e a Via Láctea

A bactéria e a galáxia



Entre agora e o eon

O ião e o Órion

A lua e o magnetão

Entre a estrela e o electrão

Entre o glóbulo e o globo blue



Eu, um cosmos em mim só

Um átimo de pó

Assim: do yang ao yin



Eu e o nada, nada não

O vasto, vasto vão

Do espaço até ao spin



Do sem-fim além de mim

Ao sem-fim aquém de mim

Den'de mim



de VB, no Conta Natura.

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publicado às 14:09

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.12.04
Blockbomba: The Butterfly Effect, Duplex, Cypher.

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publicado às 14:03

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.12.04
Eu hoje acordei assim...





Brad Pitt



... a pedido de algumas leitoras que se queixaram da quantidade excessiva de mulheres muito giras neste blogue (é a história da minha vida: mulheres que gostavam que eu fosse homem, ai weird...) e para ver se acalmo este senhor que precisa de um duche frio. Cup of coffee anyone?

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publicado às 08:56

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.12.04
Era uma ambulância para a rua da Blogosfera, 3, 5.º esq.



Miguel, já devias saber que postar às 4h17 da matina não dá bom resultado. Mas, enfim, todos temos direito aos nossos delírios e esse poderá ser o teu. Eu também (muito sussurrado) não sou parecida com a Marilyn e acordo assim sempre que posso. Já viste o que me obrigaste a fazer? A revelar algo irrevelável! Bom, just in case, os senhores de bata branca já está avisados e não te vão tratar mal. Tens é de estar calminho.

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publicado às 11:38

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.12.04
Modo de vida: foi bom enquanto durou. (A ser utilizado com amores, amigos e mesmo familiares. Já para não falar do resto.)

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publicado às 11:14

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.12.04
Bomba de Ouro: "Até para o ano. Tchékhov forever", de Alexandra Barreto, no Seta Despedida.

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publicado às 11:12

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.12.04
Eu hoje acordei assim...





Elizabeth Taylor



... ainda me hão-de explicar essa história do frio que sinceramente não estou a ver...

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publicado às 11:01

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.12.04
Soprano talk: Luís, Lionel Richie e Annette Bening as Herself, por David "Genius" Chase.

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publicado às 23:28

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.12.04
Resposta ao cantinho da língua: o lado feminino deste blogue faz-me a seguinte pergunta: "(...) se um indivíduo que mata outro é um homicida, um indivíduo que mata peixes é um piscicida?" Após longas horas de reflexão e estudo cheguei às seguintes conclusões:

1) piscicida é um vocábulo foneticamente ordinário e que embora esteja de acordo com a patologia, é passível de ser confundido com outros quinhentos paus;

2) há outra palavra para peixe que me agrada mais: ixthis. Rings any bell? Pois deve ringar, sim senhora: I (Iesous) X (Xristos) TH (Theon) I (Ios) S (Sotir). Todas as letras (o "th" é uma letra em grego) da palavra em grego antigo indicam o nome de Jesus Cristo como filho de Deus. E assim o peixe passou a ser um símbolo (talvez o primeiro) dos Cristãos;

3) icticida é uma palavra muito pesada, interessante, mas sinceramente prefiro psicopata. Pode ser?



Adenda: no Arqueoblogo temos a explicação em grego de ixthis (o que me permitiu corrigir as terminações que aqui não estavam correctas) e outras informações. Obrigada!

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publicado às 16:37

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.12.04
Triiim: se tiverem em tamanho 35, prometo pensar no assunto...

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publicado às 14:52

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.12.04
Etimologia hebdomadária (actualizado)



A palavra para hoje é pesadelo. Mesmo sem sabermos nada desta palavrinha, intui-se imediatamente um peso ali algures. Pois é. Trata-se do pensare latino, exactamente o mesmo que depois levará ao nosso "pensar". Afinal de contas, o pesar tanto pode ser o da reflexão como o da balança. Neste caso, fixemo-nos no segundo. O pesadelo, como diz José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, vem de pesado, "pois a pessoa que tem pesadelos sente aflições como se tivesse coisas pesadas a calcar-lhe o peito". Mas vejamos o que Jorge Luis Borges diz sobre o pesadelo*: "Em grego a palavra é efialtes: Efialtes é o demónio que inspira o pesadelo." Nas minhas pesquisas não descobri nenhum demónio chamado Efialtes (só o traidor das Termópilas), mas cheguei a ipiálos, que estará na origem de efialtes (by the way, a palavra mantém-se em grego moderno). Ora este ipiálos significa uma febre com tremores (suores), o que me leva à palavra febre em grego moderno: piretós. Muitas coisas aconteceram on the way, mas é muito provável que a evolução seja esta. Mas continuemos a ouvir Borges: "Em latim temos o incubus. O íncubo é o demónio que oprime o adormecido e lhe inspira o pesadelo. Em alemão temos uma palavra curiosíssima: Alp, que viria a significar o elfo e a opressão do elfo, a mesma ideia de um demónio que inspira o pesadelo. (...) Chegamos agora à palavra mais sábia e ambígua, o nome inglês dos pesadelos: the nightmare, que significa para nós 'a égua da noite'. (...) Porém, segundo os etimologistas a raiz é diferente. A raiz seria night mare ou night maere, o demónio da noite." Leiam o texto todo, demónios incluídos.



* Jorge Luis Borges, Obras Completas, "O pesadelo", Lisboa, Editorial Teorema, 1998, vol. III, pp. 228-239.



Adenda: no Avatares de um Desejo está o quadro de Füssli, The Nightmare, de que Borges fala no ensaio a respeito do Alp (elfo) alemão. Brrr... Medo... Obrigada, Bruno!



Segunda adenda: do blogue A Seita de Fénix recebi a seguinte mensagem, que desde já agradeço: "(...) a propósito da etimologia de «pesadelo», diz que nas suas pesquisas não descobriu nenhum demónio chamado Efialtes. Parece-me, no entanto, que talvez seja de recordar que Efialtes é um dos Gigantes vencidos (salvo erro...) por Júpiter. Nos Lusíadas, por exemplo, há uma passagem qualquer sobre as guerras que opuseram os Deuses aos Gigantes. Os Gigantes são seres monstruosos. Não poderia Borges ter buscado aí «o demónio que inspira o pesadelo»? [cada um dos Gigantes haveria, presumo, de ter uma característica distintiva... ? poderia ser por aí?]. Só como curiosidade: há-de ter reparado que no mesmo volume das Obras Completas que citou (v. p. 116), um dos poemas da Rosa Profunda tem, exactamente, o título Efialtes. Sempre me pareceu ambígua esta ideia de «pesadelo» que parece emergir deste poema: porque «pode ser a prisão a crescendo em labirinto», mas pode também «ser um jardim». E é ao pesadelo (a Efialtes, portanto) que Borges se refere no final do poema, quando fala na «insensata rosa»? [outra vez a ambiguidade ? uma rosa insensata...]. Seja como for, parece não haver dúvidas de que Borges vai buscar a ideia de pesadelo exactamente a Efialtes (a um dos Gigantes, portanto): repare que «o pesadelo» cujo «horror não é deste mundo» «vem de outroras de mito e neblina»... (...) Enfim, conhecendo-se Borges não é ilícito supor que, partindo de um ser monstruoso da mitologia clássica, se atreveu a extrapolar para a etimologia o que à etimologia não pertence..."

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publicado às 10:14

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