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por Carla Hilário Quevedo, em 17.03.05
O delírio do dia


Diário de Notícias, 15-03

Ora cá está alguém que percebe o bomba inteligente, que o leu de trás para a frente, que ousou mergulhar na piscina dos seus arquivos.

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publicado às 20:35

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por Carla Hilário Quevedo, em 17.03.05
Eu hoje acordei assim...


Madonna

... num dia fantástico de sol e calor.

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publicado às 12:12

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.03.05
Eu hoje acordei assim...


Madonna

... nada como ouvir e perceber Express Yourself aos 18 anos...

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publicado às 11:28

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por Carla Hilário Quevedo, em 15.03.05
Eu hoje acordei assim...



... I think I'm gonna sing a song about love...

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publicado às 12:31

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por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.05
Passear pela blogosfera é bom e faz crescer

- A triciclofeliz gosta delicadamente da série Absolutely Fabulous.
- O Serendipity e o Homem a Dias passaram a ter música. Mas em ambos temos de carregar no botão de play para ouvirmos o tema escolhido. Não é como neste blogue. No bomba carrega-se no stop.
- And the nominees are... No Origem do Amor já podemos ver a lista de nomeados aos Blóscares 2005. A cerimónia é no dia 1 de Abril e não é mentira. E a Virginia Madsen que nunca mais devolve o vestido...

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publicado às 12:21

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por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.05
Eu sabia que isto estava escrito em qualquer sítio (18)

"(...) a delicadeza do gosto deve ser tão desejada e cultivada como a delicadeza de paixão deve ser lamentada, e se possível remediada. Os bons ou maus acidentes da vida estão muito pouco à nossa disposição, mas podemos muito bem decidir quais os livros que vamos ler, quais as diversões a que nos vamos entregar e quais as companhias que vamos escolher."

David Hume, Ensaios Morais, Polítcos e Literários, "Da Delicadeza do Gosto e da Paixão", Lisboa, INCM, 2002, p. 20.

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publicado às 12:11

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por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.05
Blockbomba: Envy, Connie and Carla, Suzie Gold (muito querido).

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publicado às 12:05

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por Carla Hilário Quevedo, em 11.03.05
Estado em que se encontra este blogue

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publicado às 21:19

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por Carla Hilário Quevedo, em 11.03.05
E ainda vou a tempo: de dar dois beijos de parabéns à Ana Albergaria por dois anos de Crónicas Matinais.

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publicado às 21:16

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por Carla Hilário Quevedo, em 11.03.05
Discussão sobre o gosto

Há uma discussão interessante a decorrer no Last Tapes, no Seta Despedida e no Indústrias Culturais acerca do gosto. Porque não me parece que se esteja a discutir Tarkovsky nem Eastwood, mas a estranheza de se gostar de ambos. Procuram-se argumentos que justifiquem escolhas tão díspares, numa tentativa quase de desculpabilizar um gosto aparentemente menos digno. Uma espécie de "se tu gostas de Lewis Caroll como podes gostar de Madonna?" E penso nos livros para crianças que a cantora escreveu.

A Alexandra escreve o seguinte: "Gostar de Tarkovsky nunca me impediu de apreciar comédias acéfalas e unidimensionais com a Meg Ryan. As coisas não são assim tão simples." A adjectivação atribuída às comédias com a Meg Ryan indicam uma hierarquia no gosto. Ou seja, "eu gosto, mas sei que aquilo não vale nada". Não será ainda uma espécie de timidez em aceitar que se gosta de alguma coisa menos boa?

A questão do gosto não tem fim nem solução à vista. Podemos passar o resto da vida a tentar compreender, a explicar e pacientemente a justificar os nossos gostos que me parece um excelente projecto de vida. Mas parece-me fundamental perceber que não são os nossos gostos que nos definem. As coisas não são, de facto, assim tão simples.

David Hume, em Of Standard of Taste, começa por admitir a impossibilidade de haver um padrão de gosto: "It is natural for us to seek a standard of taste; a rule by which the various sentiments of men may be reconciled; at least, a decision, afforded, confirming one sentiment and condemning the other. There is a species of philosophy, which cuts off all hopes of success in such an attempt, and represents the impossibility of ever attaining any standard of taste." Segundo Hume, o gosto nivela nos casos gerais, mas rapidamente divide nos casos particulares: "(...) But when critics come to particulars, this seeming unanimity vanishes; and it is found that they had affixed a very different meaning to their expressions." É na passagem dos casos gerais, em que existe uma aparente unanimidade, para os casos particulares, ou para a explicação do que queremos dizer com determinadas palavras, que a separação começa.

Todos podemos apreciar a elegância, mas quando queremos dar exemplos da mesma ou explicá-la, o conceito dificilmente terá o mesmo significado para todos: as controvérsias de gosto não se resolvem com clarificações linguísticas. Mas quando o problema parece resolver-se com o provérbio "gostos não se discutem", Hume introduz a ideia de um senso comum; comum a uns e não a outros: "(...) there is certainly a species of common sense which opposes it, at least serves to modify and restrain it." Todos temos o nosso gosto, mas só o gosto de alguns interessa e é verdadeiro. A natural igualdade dos gostos é absurda para Hume por causa da impossibilidade de igualarmos objectos diferentes. Sempre que o fazemos, o nosso gosto não merece crédito; quase como se não estivéssemos preparados para gostar.

O veredicto dos que têm uma delicadeza do gosto é aquele que realmente interessa e que pode chegar a estabelecer uma espécie de padrão: "A good palate is not tried by strong flavours; but by a mixture of small ingredients, where we are still sensible of each part, notwithstanding its minuteness and its confusion with the rest." Segundo Hume, só podemos distinguir os vários ingredientes através da experiência e da comparação: "So advantageous is practice to the discernment of beauty, that, before we can give judgment of any work of importance, it will even be requisite, that that very individual performance be more than once perused by us and be surveyed in different lights with attention and deliberation." O mundo humeano é constituído por pessoas capazes de sentir prazer ou desprazer, embora só algumas tenham autoridade para emitir juízos de gosto: "Thus, though the principles of taste be universal, and, nearly, if not entirely the same in all men; yet few are qualified to give judgment on any work of art, or establish their own sentiment as a standard of beauty."

Hume chega a descrever o verdadeiro padrão de gosto: "Strong sense, united to delicate sentiment, improved by practice, perfected by comparison, and cleared of all prejudice, can alone entitle critics to this valuable character; and the joint verdict of such, wherever they are to be found, is the true standard of taste and beauty." Mas não existe um padrão de gosto porque não há acordo, embora Hume fale numa autoridade do gosto constituída por críticos desprovidos de preconceitos, isentos, refinados, experientes e conhecedores: "Though men of delicate taste be rare, they are easily to be distinguished in society by the soundness of their understanding and the superiority of their faculties above the rest of mankind." Mas se o gosto é uma questão de escolha, como afirma depois Hume - "We choose our favourite author as we do our friend, from a conformity of humour and disposition" - então pode ser nivelador, no sentido em que o gosto é uma característica da espécie humana e nos aproxima, nos identifica.

Immanuel Kant afasta-se de Hume na definição de juízo de gosto: "(...) não é o prazer, mas a validade universal deste prazer que é percebida como ligada no ânimo ao simples julgamento de um objecto, e que é representada a priori num juízo de gosto como regra universal para a faculdade do juízo e válida para qualquer um. É um juízo empírico o facto que eu perceba e ajuíze um objecto com prazer. É porém um juízo a priori que eu o considere belo, isto é que eu deva postular aquele comprazimento em qualquer um como necessário." Kant afasta-se dos juízos de gosto a posteriori e dependentes da experiência de Hume, para os universalizar e designá-los como juízos sintéticos ou que acrescentam uma informação de prazer ou desprazer, a priori, ou seja, independentes de qualquer experiência. O gosto deixa assim de depender do conhecimento e o tribunal de gosto de Hume deixa de fazer sentido: todos podemos dizer que algo é belo porque os objectos não são independentes de nós. O juízo de gosto é uma maneira de lidarmos com as coisas, de as acolhermos. Ou seja, para Kant, nada acontece sem que o fim sejamos nós próprios: "(...) o juízo de gosto funda-se sobre um conceito (de um fundamento em geral da conformidade a fins subjectiva da natureza para a faculdade do juízo), a partir do qual porém nada pode ser conhecido e provado acerca do objecto, porque esse conceito é em si indeterminável e inapropriado para o conhecimento."

Kant conclui que todo o juízo de gosto depende de supormos que tudo aponta para nós. Ou seja, o que acolhemos é o que somos, não havendo distinção entre sujeito e objecto: "(...) não se trata de saber o que a natureza é, ou tão pouco o que ela é como um fim para nós, mas como a acolhemos."

Eu gosto da explicação de Kant.

Bibliografia: 1 e 2.

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publicado às 19:46

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por Carla Hilário Quevedo, em 11.03.05
Ainda vou a tempo: de destacar a participação de um dos leitores do Abrupto sobre a liberdade de expressão e o modo como é (pouco e mal) vivida no nosso País. José Pedro Pessoa e Costa escreve: "Sempre que nos indignamos com o facto de outrem exprimir uma opinião - o que é diferente de nos indignarmos com as opiniões expressas - restringimos o nosso espaço de liberdade. É a political correcteness que desponta por detrás de bem pensantes opiniões." Clarinho como água.

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publicado às 15:39

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por Carla Hilário Quevedo, em 10.03.05
A experiência que não ajuda

Cair na mesma esparrela enerva qualquer pessoa interessada em melhorar a sua vida. Por que batemos com o joelho sempre naquela esquina da mesa ou todos os dias bebemos o chá a ferver? Lamentavelmente, não é com o joelho cheio de nódoas negras nem com a língua pejada de bolhas que percebemos a necessidade de uma nova decoração e as vantagens dos batidos de frutas.

Não aprender com os erros é comum e coisa triste. Embora a experiência não se resuma às patas metidas nas poças lamacentas da vida, é verdade que quase nunca fixamos as emendas que timidamente fizemos. "Para a próxima, não me apanham às seis da tarde na Av. da República", dizemos um dia, certos de que nunca mais faremos um trajecto de dois - pronto, cinco - minutos numa hora. Na semana seguinte lá estamos de novo porque nos "pareceu estar mais descongestionada".

Ora, se assim é, talvez seja melhor acreditarmos que a aprendizagem é também independente da experiência. Se não preciso de me atirar de uma janela para saber que chego lá abaixo em más condições, também não será imperativo experimentar o sabor de um peixe molarengo para viver um dia de agonia intestinal. Assim como não me parece essencial visitar o Rio de Janeiro em Dezembro para saber que faz calor, não julgo ser fundamental atirar-me para debaixo de um comboio para perceber o desespero de Anna Karenina. Graças à ficção podemos andar à solta a descrever e a compreender situações extremas por que nunca passámos.

Mas nem só de exemplos de enganos vive o homem. Quando Virgílio Expósito, compositor argentino, escreveu a partir de versos do seu irmão, Homero Expósito, "primero hay que saber sufrir, despues amar, despues partir e al fin andar sin pensamiento", parte do belíssimo tango Naranjo en Flor*, tinha 19 anos de idade. E como diabo o sabia?

* O que estão a ouvir é precioso. Trata-se de Virgilio Expósito, com 80 anos de idade, a cantar Naranjo en Flor. A letra completa antes de cá estar, já cá estava.

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publicado às 10:59

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por Carla Hilário Quevedo, em 09.03.05
Adenda para um estudo comparativo: decidi deixar neste post a interpretação de Julio Sosa do tango Cambalache para que possam comparar com a que agora ouvem de Roberto Goyeneche. A indignação raivosa de Sosa é substituída pelo tom "não percebo qual é o espanto, porque toda a gente sabe que foi e sempre será assim", de Goyeneche. Gosto dos dois.

Nota posterior: a música no blogue torna-o mais pesado, razão pela qual retirei este linque.

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publicado às 10:16

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por Carla Hilário Quevedo, em 09.03.05
Blockbomba: The Notebook (muitas vezes lindo).

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publicado às 10:13

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por Carla Hilário Quevedo, em 09.03.05
Caprichos: este blogue passa a ter uma lista internacional de air blogs.

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publicado às 10:11