"O 'Melia, my dear, this does everything crown! Who could have supposed I should meet you in Town? And whence such fair garments, such prosperi-ty?" "O didn't you know I'd been ruined?" said she.
"You left us in tatters, without shoes or socks, Tired of digging potatoes, and spudding up docks; And now you've gay bracelets and bright feathers three!" "Yes: that's how we dress when we're ruined," said she.
"At home in the barton you said 'thee' and 'thou, 'And 'thik oon,' and 'theäs oon,' and 't'other'; but now Your talking quite fits 'ee for high compa-ny!" "Some polish is gained with one's ruin," said she.
"Your hands were like paws then, your face blue and bleak But now I'm bewitched by your delicate cheek, And your little gloves fit as on any la-dy!" "We never do work when we're ruined," said she.
"You used to call home-life a hag-ridden dream, And you'd sigh, and you'd sock; but at present you seem To know not of megrims or melancho-ly!" "True. One's pretty lively when ruined," said she.
"I wish I had feathers, a fine sweeping gown, And a delicate face, and could strut about Town!" "My dear - a raw country girl, such as you be, Cannot quite expect that. You ain't ruined," said she.
Bom dia, Isabel: nada disso é amiguismo; é amizade. Aproveito também eu para dar os muitos parabéns ao Quatro Caminhos pelo terceiro aniversário. E ao Impensável pelo quarto aniversário. Chego atrasada às festas de anos de ambos, as minhas desculpas. Que contem muitos mais! Viva! (Ana Cláudia, vem aí a última série dos Sopranos, que nervos...)
Por vezes, as pessoas mais insuspeitas supreendem ao dizer frases como: «Ele é brilhante, mas a vida dele é um desastre». É a adversativa que introduz o elemento que me parece fundamental para percebermos o seu sentido: a expectativa. Parece haver um entendimento comum a muitos de que o brilhantismo ocasiona uma vida que não pode ser «um desastre», a qual, por sua vez será uma vida... feliz? Saudável? Rica? Bem sucedida? Ou seja, uma pessoa brilhante tem a oportunidade (ou a possibilidade) de utilizar o seu talento em benefício próprio, e para casar para sempre, procriar melhor, ganhar muito dinheiro Na frase o que temos afinal é uma expectativa velada de que aquele que é brilhante tenha tudo aquilo que muitos desejam: uma vida burguesa, superficial na maior parte dos casos, embora com a enorme vantagem de não ter problemas de maior. Ora, como conciliar o brilhantismo (a inteligência, o talento, como queiram) com uma vida centrada na resolução de problemas do quotidiano? Como podemos acreditar que alguém brilhante é mais capaz de os resolver? Que, se os resolver, estará a fazer jus à sua condição de pessoa brilhante? E, se não o fizer, isso significa que a sua vida é um desastre? Não, até porque não existem vidas desastrosas, apenas diferentes, umas vividas mais intensamente do que outras.
Ah, that Time could touch a form That could show what Homer's age Bred to be a hero's wage. "Were not all her life but storm, Would not painters paint a form Of such noble lines," I said, "Such a delicate high head, All that sternness amid charm, All that sweetness amid strength?" Ah, but peace that comes at length, Came when Time had touched her form.
... não, não: a fase Jean-Luc Godard ainda não passou, nem por sombras. Sofreu apenas uma brevíssima interrupção. Um leitor muito gentil enviou-me Le Mépris, mas não consigo ver porque o portátil pifou (MacBook branco ou Vaio blazing red, eis a questão). Será gripe informática? Entretanto, a minha alma anda completamente parva com as edições em DVD que estão a sair: Elogio do Amor, Le Mépris (acaba de sair), La Chinoise,O Acossado. Mas nada disto pode dissuadir os Caros Senhores da Cinemateca de organizar um ciclo Godard, tentanto trazer cá o realizador (note-se que a fasquia subiu ligeiramente). O quê, não sai de casa? Enlouqueceu? Está velho? Amuou? Não lhe apetece? Who does? Who hasn't? Who isn't? Who doesn't? Who does...
... chegar a Portugal e ficar doente é de esperar. Tenho um amigo que me diz que Portugal não teve nada a ver com a gripe e que o problema foi não ter tomado as vacinas antes de ir para a Holanda. Fiquei a pensar que teria muita razão. A quantidade de ratatouille que existe na cidade de Amesterdão é impressionante. Parece tudo muito lindo - e é - sem problemas nenhuns - e é bem verdade que não têm, à excepção da comunidade turca que não sai de casa e que vive de acordo com as suas próprias leis - muito asseado - não há sequer um papel no chão - super-silencioso - não se ouve uma mosca mesmo em plena hora de ponta no centro - mas para compensar, há ratos por todo o lado. Não que se vejam (a menos que queiramos aqui introduzir uma metáfora), mas aparecem na calada da noite. Lembro que uma fêmea pode ter à volta de 1500 crias ao longo da sua vida. Isto é preocupante! Mas pensando noutros bichos que vi em Amesterdão, lembro-me por exemplo do espantoso conjunto de crocodilos que existe no jardim zoológico. Uma maravilha. Eram uns quatro ou cinco, enormes, imóveis, pré-históricos, com aspecto embalsamado - se viesse um astrólogo forense de Madrid diria que escondem alguma coisa, os sacanas. E de onde virá a expressão lágrimas de crocodilo? De alguma banda desenhada, com certeza. Quando eu era miúda, adorava a história do Capitão Gancho sempre cheio de medo de um crocodilo que lhe tinha comido a mão e engolido o relógio. Mas o Capitão Gancho usava relógio de pulso? Tenho de investigar esta história. E de ler o Rat Man Case, do Freud. Não tenho medo de ratos que fique aqui registado...
Desta leitora fiel - ai, Pedro, as coisas que obrigas uma pessoa a dizer... - muitíssimo apreciadora de Big Train, votos de felicidades blogosféricas para o Estado Civil, nesta data em que cumpre dois anos de blogovida. Hip hip hurray!
Adenda: quanto a este post, 1) a boutade não é exclusiva da direita nem de nenhuma ideologia; 2) consideras uma boutade algo com que não concordas; e 3) esqueces precisamente a autoridade de quem - segundo tu dizes - a profere. Seja como for, VPV já ganhou há muito tempo o direito à boutade e a gostar de Clara Pinto Correia.