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por Carla Hilário Quevedo, em 31.10.07
Be Not Sad
by James Joyce

Be not sad because all men
Prefer a lying clamour before you:
Sweetheart, be at peace again -
Can they dishonour you?

They are sadder than all tears;
Their lives ascend as a continual sigh.
Proudly answer to their tears:
As they deny, deny.

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publicado às 08:28

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por Carla Hilário Quevedo, em 31.10.07
Mães no autocarro

É bem conhecida a frase que diz que quanto mais conhecemos os seres humanos mais gostamos dos animais. Pois após quase três semanas deprimentes passadas de um lado para o outro nos transportes públicos, avanço com a seguinte variante: quanto mais conheço os adultos mais gosto das crianças. Não houve um único dia nestas três semanas de contacto com a vida real – uma profunda chatice sem nenhuma alegria – em que não assistisse a pelo menos uma cena de brutalidade ou má-criação ou chantagem entre mães e filhos. Não que pretenda poupar os pais mas nos autocarros a percentagem de mães com crianças é muitíssimo mais alta. E como se comportam? As mães falam sozinhas com os bebés (com idades entre meses e quatro anos), constantemente dão ordens ou indicações do que a prole deve ou não fazer, e as crianças ouvem, sofrem e choram. Como não há diálogo possível, as mães ameaçam: 1) deixar a criança sozinha no autocarro (frequente); 2) «olha que tu levas uma chapada» (um clássico) e 3) restringir o acesso a uma brincadeira habitual depois da escola. Sempre que uma criança mais reguila protesta, outras mães ou avós naquele espaço tomam de imediato o partido do adulto e insistem as ameaças do costume. É um verdadeiro milagre que estas crianças se tornem adultos com bons princípios e pessoas capazes de sentir compaixão pelo próximo. Quem não é bem tratado muito dificilmente trata bem o próximo.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-10-07.

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publicado às 08:03

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.10.07
Thank you, Jansenista!




(Joyce lê a parte final de Impromptu e todo To the Fathers, de Ulysses, e depois uma parte de muito difícil acesso de Finnegans Wake, que começa com uma frase extraordinária tornada ainda mais bela quando lida pelo autor: "Well, you know or don't you kennet or haven't I told you every telling has a taling and that's the he and the she of it.".)

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publicado às 22:05

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.10.07
Página 161


(Descobri esta primeira página manuscrita do Ulysses no Google Images e fui parar aqui.)

Só existe um livro cá em casa: é o Ulysses de James Joyce. Por isso, quando o Eduardo e o Tomás gentilmente me pedem para saber qual é a quinta frase completa na página 161 de um livro ao calhas não sofro, não tenho angústias, pois não há nada a escolher. Cá vai: "Getououthat, you bloody old pedagogue! the editor said in recognition." E passo a cadeia ao maradona florido, à Fernanda Câncio, ao Francisco José Viegas (pode ser de um manual técnico, não faz mal), ao Manuel Alberto Valente (sabemos que não será uma frase de Faulkner) e ao Rui Bebiano (que, graças a Deus, não vai pegar no Corão).

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publicado às 09:15

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.10.07
Para o caro sobrinho

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publicado às 08:14

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.10.07
Eu hoje acordei assim...


Kylie Minogue

... mas agora tenho mesmo de me levantar.

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publicado às 08:08

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.10.07
Is/Not
by Margaret Atwood

Love is not a profession
genteel or otherwise

sex is not dentistry
the slick filling of aches and cavities

you are not my doctor
you are not my cure,

nobody has that
power, you are merely a fellow/traveller

Give up this medical concern,
buttoned, attentive,

permit yourself anger
and permit me mine

which needs neither
your approval nor your suprise

which does not need to be made legal
which is not against a disease

but against you,
which does not need to be understood

or washed or cauterized,
which needs instead

to be said and said.
Permit me the present tense.

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publicado às 10:41

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.07
Educação musical (4)

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publicado às 20:42

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.07
Educação musical (3)



(Se bem me lembro estou a repetir-me. Não faz mal, é um fucking clássico.)

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publicado às 20:40

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.07
Educação musical 2 a)

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publicado às 20:26

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.07
Educação musical (2)

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publicado às 20:18

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.07
Educação musical (1)

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publicado às 20:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.07
Eu hoje acordei assim...


Sherilyn Fenn

... Pilar, como está?
- Charlotte! Há tanto tempo!
- É verdade. Sabe que nas minas não há telefone. Não há sequer luz, veja bem!
- Pois se não há luz, como posso ver bem, Charlotte?
- Percebo que se esteja a armar em esperta e engraçada. Tenho aliás uma vasta experiência com criaturas atrevidas, mas repare: a Pilar não está nas minas.
- Tem razão.
- A conversa acaba sempre assim. Parece que precisam de um conflito comigo. Eu já sei que me ama Pilar mas sou casada e tenho dias em que trabalho 18 horas de seguida.
- Ai, Charlotte...
- Compaixão, ouviu? Tenha compaixão!
- Shacaxxaxxafsvsdfthj...
- A Charlotte ouviu isto?
- Ai que são os tais barulhos!
- Shacaxxaxxafsvsdfthj...
- (em uníssono) Pois são!
- Casa Pia, Casa Pia, Casa Pia...
- Charlotte!
- Adoro fazer isto. Sempre que ouço um barulho no telefone digo Casa Pia.
- Charlotte, que disparate!
- Só me faltava inventar uma telefonista com problemas com a liberdade de expressão e funções de super-ego...
- Por falar nisso já viu esta observação inteligente?
- Claro que já vi! Por quem me toma? Se eu fosse uma rapariga grafiteira - que até sou, só não tenho é tempo para andar por aí a pintar paredes - uns minutos antes de o Putin chegar a Portugal tinha pintado um enorme "QUE TE PARIN" lá onde ele esteve hospedado.
- E depois ia presa.
- Tantas fantasias, Pilar...
- E já viu esta observação cândida?
- Claro que já vi! Por quem me toma? A expressão "esquerda democrática" é um oximoro.
- E o que é um oximoro?
- Ai, Pilar, que maçada! Então eu invento-a e não sabe o bê-á-bá, francamente!
- A Charlotte deixou de fazer as etimologias...

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publicado às 11:23

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.10.07
The Woman Who Could Not Live With Her Faulty Heart
by Margaret Atwood

I do not mean the symbol
of love, a candy shape
to decorate cakes with,
the heart that is supposed
to belong or break;

I mean this lump of muscle
that contracts like a flayed biceps,
purple-blue, with its skin of suet,
its skin of gristle, this isolate,
this caved hermit, unshelled
turtle, this one lungful of blood,
no happy plateful.

All heart float in their own
deep oceans of no light,
wetblack and glimmering,
their four mouths gulping like fish.
Hearts are said to pound:
this is to be expected, the heart's
regular struggle against being drowned.

But most hearts say, I want, I want,
I want, I want. My heart
is more duplicitous,
though no twin as I once thought.
It says, I want, I don't want, I
want, and then a pause.
It forces me to listen,

and at night it is the infra-red
third eye that remains open
while the other two are sleeping
but refuses to say what it has seen.

It is a constant pestering
in my ears, a caught moth, limping drum,
a child's fist beating
itself against the bedsprings:
I want, I don't want.
How can one live with such a heart?

Long ago I gave up singing
to it, it will never be satisfied or lulled.
One night I will say to it:
Heart, be still,
and it will.

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publicado às 21:21

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.10.07
Eu hoje acordei assim...


Eva Green

... e Tony Soprano, fartinho de Paulie até à ponta dos cabelos que não tem, a sentir aquele desprezo visceral a que tantos chamam ódio (e bem, agora que penso nisso), a contar que Paulie na juventude até era caladinho, discreto, Gary fucking Cooper...

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publicado às 08:05

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