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O mais recente filme de Joel e Ethan Coen, A Serious Man, é uma comédia negra que terá parecido mais negra que comédia à maioria dos espectadores naquela sessão da tarde. Digo isto porque na sala de cinema quase ninguém se riu da sucessão de maus eventos na vida de Larry Gopnik. Estamos em plena década de 60 na América. Um professor de física tem uma vida aborrecida até ao dia em que a mulher o surpreende com a notícia de que quer o divórcio porque tem um amante. A partir deste momento, tudo muda para cada vez pior. Quando por fim há um momento de paz, toca o telefone e é o médico a querer ver Gopnik no consultório. Quem julga que isto é mau nunca pensou na possibilidade de desaparecer num tufão. O filme foi recebido com frieza, sobretudo por parte da comunidade judaica americana ortodoxa. Mesmo judeus nova-iorquinos não se riram na cena cómica do filho charrado no seu bar mitzvah. Jonathan Foreman, no The Jewish Chronicle, diz que é uma tristeza serem «todos tão feios e mal vestidos». Se o Judaísmo fosse um clube, os Coen eram expulsos por falta de respeito. Em todas as religiões encontramos gente mais papista que o Papa. Salvo seja.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-3-10
Tal como o Eduardo, fiquei triste por Das Weisse Band não ter ganho nada, e também por Tarantino ter sido ignorado. Já para não falar do grande filme dos Coen, que passou despercebido. Perante este cenário de mau gosto, pus a hipótese de o próprio lobby judaico de Hollywood estar farto de judeus. Pode parecer esquisito mas mais coerente não pode ser. Mas estranho que não tenham gostado nada de Inglorious Basterds. Se calhar não gostaram da possibilidade de mudança do curso da história em 1941, num teatro onde estariam reunidos Adolf Hitler, Josef Goebbels e Martin Bormann. Também não devem ter gostado do sadismo dos basterds, a gravar suásticas nas testas dos nazis. Na última cena há vítimas inocentes, e disso ninguém pode gostar. E depois há aquele humor muito sério de Tarantino, que pode ser difícil de suportar. Não sei. Ou então não.

Eli Roth na festa pós-Óscares da Vanity Fair.
... e porque o prémio atribuído a Kathryn Bigelow suscitou as reacções mais tontas, aqui fica um bom artigo: "The problem with devaluing Bigelow's win as being merely a clever bit of cinematic cross-dressing is that it takes away from the fact that 'The Hurt Locker' is a great film, full stop." E é surpreendente como tantos e tantas caíram no velho truque paternalista da primeira mulher a não sei o quê. Tudo isto e ainda não vi o filme.

Entre os críticos de cinema e os críticos de moda, venha o diabo e escolha. Ao contrário das coisas que já li por aí, com certeza escritas por gente baixota e feia, que nunca viu um vestido na vida digno desse nome (não me posso enervar), Vera Farmiga estava deslumbrante neste Marchesa rosa-choque. Só uma mulher muito alta suportaria um vestido assim. Aliás, o que está a dar é mulheres gigantes. So hot right now.






Kathryn 'Patriota e Militarista in Marchesa' Bigelow; Charlize ' Dior Divertido' Theron; Diane 'Chanel' Kruger; Demi 'Versace' Moore; Robert Downey Jr + Susan 'Jean Fares Couture' Downey; Christoph 'It's a Über-Bingo' Waltz.

Ainda a propósito deste caso, esclareço que nada tenho contra a psicologia, menos ainda contra a psicoterapia ou psicanálise; sobretudo quando os pacientes são saudáveis ao ponto de "transformar a neurose em infelicidade". O problema é quando há uma situação de violência e se usam explicações psicológicas para compreender os criminosos. O problema é sempre o mesmo: custa aceitar que há pessoas, crianças e adolescentes, que não têm recuperação. Espero que a família e os colegas que assistiram ao suicídio da criança estejam a receber apoio psicológico. Estes, sim, bem precisam dele.
A semana ficou marcada com o suicídio de uma criança de doze anos em Mirandela. A criança lançou-se ao rio Tua após ter sido agredida por colegas da escola Luciano Cordeiro. Não era a primeira vez que tal acontecia. O Leandro era vítima de bullying na escola. Alguns colegas de turma contam que havia três ou quatro alunos de 14 e 15 anos, que ameaçavam e agrediam os mais novos. Perante esta notícia de um crime, foi com espanto que li que os agressores entretanto identificados estão a ser acompanhados por um psicólogo na própria escola. Não consta que tenham sido detidos e interrogados pela Polícia. Seremos confrontados a todo o momento com o diagnóstico de os adolescentes sofrerem de uma qualquer perturbação psicológica que os obrigava a atormentar a vida de um miúdo de doze anos. Às desculpas psicológicas juntar-se-ão os adeptos da sociologia, que não vão tardar em arranjar teorias mirabolantes a respeito das fracas condições de vida destas pessoas, o que as leva a conviver mais de perto com a sua condição animal. Seja como for, o inquérito instaurado à escola depois da morte de Leandro peca por ser irremediavelmente tardio. Se é visível que as crianças estão longe de ser pacíficas, é também certo que nunca se ouviu tanto falar do problema do bullying na escola. A violência entre crianças ter sempre existido não desresponsabiliza a comunidade, que tem o dever de cuidar dos mais desprotegidos. Como as crianças, precisamente. A avó de Leandro, Zélia Morais, citada pelo Público, contou que a criança era agredida verbal e fisicamente e que há cerca de um ano teve de ser hospitalizada na sequência de uma agressão por colegas da escola, mas fora do estabelecimento. Contou ainda que a mãe do Leandro ia muitas vezes à escola contar o que se passava e que a «atendiam muito bem, mas nunca faziam nada, como não fizeram». Como deve a escola agir nos casos de bullying? A família deve ter um papel mais activo na denúncia destes casos? As crianças violentas são-no mais hoje ou sempre foram assim?
Publicado hoje no Metro. Deixe a sua opinião através do

... e ainda bem. A Alice do Tim Burton é uma maravilha. Gostei imenso!

Brigitte Bardot
... a quarta série de Dexter é capaz de ser a mais emocionante. Gosto de todas, mas esta tem o melhor vilão de sempre: o sinistro Trinity. John Lithgow ganhou muito bem o Globo de Ouro por causa deste assassino/pai de família - uma categoria nova, logo a seguir a actriz/modelo. O mais fascinante neste assasino em série é ter o seu segredo bem à vista de todos. O problema é ninguém ver - só o nosso herói Dexter, que também tem aquela disposição para esquartejar pessoas, pormenor que desculpamos por as vítimas serem todas umas criaturas infectas. Trinity tem quadros pendurados nas paredes da sua casa que marcam os locais dos crimes, e tem numa prateleira da sala a urna com as cinzas da irmã, que deixa perto de cada vítima. Esta é a única maneira de viver com o mal que faz. Trinity é um monstro, mas resolveu um problema fundamental de sobrevivência.