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A maré negra e o 11 de Setembro

por Carla Hilário Quevedo, em 18.06.10

A explosão de uma plataforma offshore da British Petroleum (BP) a 20 de Abril deu origem àquele que é já considerado o maior desastre ambiental nos Estados Unidos. Vários cientistas estimam que cerca de quinze milhões de litros de crude – entre 70 mil e 100 mil barris – inundam o golfo do México todos os dias. A estimativa da BP é bem diferente e aponta para oitocentos mil litros de crude, que equivalem a cinco mil barris diários. O «impacto psicológico» da catástrofe é comparável ao do 11 de Setembro. Quem o afirma é Barack Obama. Apesar de ter sido claro nas suas declarações, os títulos dos jornais omitiam o ponto importante das suas palavras. «Obama compara maré negra a 11 de Setembro» é chamativo, mas não corresponde inteiramente à verdade. Na sua quarta visita às áreas afectadas pela maré negra, o Presidente dos Estados Unidos afirmou o seguinte: «Tal como as nossas vulnerabilidades e a política externa foram moldadas pelo 11 de Setembro, também este desastre irá alterar a maneira como pensamos o ambiente e a energia». Obama referia-se aos efeitos do desastre ecológico e ao modo como a política das energias renováveis terá de ser desenvolvida. Pouco tempo antes, Obama manifestara a sua fúria por a BP não ter sido capaz de controlar a fuga de crude. As suas palavras contra a empresa foram tão duras que quase criaram um incidente diplomático com o Reino Unido. Pela mera observação da capacidade oratória e da força e sensibilidade que Obama apresenta em todos os seus discursos, sem excepção, dir-se-ia que mencionar um atentado terrorista num caso de um acidente é um enorme risco. Mesmo quando se pretende chamar a atenção para as mudanças provocadas por ambos. A gravidade da situação no golfo do México não decorre de um acto deliberado de destruição, mesmo que a incapacidade de tapar a fuga pareça negligente. Um acidente pode ser criminoso, mas um atentado terrorista nunca pode ser um acidente. Estamos perante um caso em que a retórica serve para obrigar uma empresa a pagar todos os custos resultantes do acidente? Num acidente, há sempre um responsável? Será mesmo o início de uma nova era para as políticas energéticas?

 

Publicado hoje no Metro. Deixe a sua opinião através do 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 24 de Junho, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 25, às 10h35.

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publicado às 19:39

Ainda é dia de Bloom

por Carla Hilário Quevedo, em 16.06.10

"Do you hear now? (She is beginning to laugh). My heart - as you say - yes - quite so" - James Joyce, numa carta à mulher, Nora Barnacle, a 12 de Julho de 1904.

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publicado às 19:30

, wo sie die Vuvuzela spielt.

por Carla Hilário Quevedo, em 15.06.10

Caspar David Friedrich, Frau am Fenster, 1822

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publicado às 19:49

Pronto, pronto

por Carla Hilário Quevedo, em 15.06.10

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publicado às 19:43

No entanto...

por Carla Hilário Quevedo, em 15.06.10

... calma. Vuvuzelar sozinho - ou na companhia de quem nos ama, e por isso acha graça a todas as nossas excentricidades, que remédio; e na de animais não humanos e felinos, como o que já conhecem, que é bem capaz de estar surdo, visto que não tugiu nem miou quando fiz as experiências vuvuzeleiras mesmo à frente dele, coitadinho - é bem diferente de vuvuzelar no estádio, na companhia de milhares de criaturas que não conhecem o significado da palavra moderação. Sempre pensei que a vuvuzela seria tocada em momentos-chave, como antes dos jogos ou quando houvesse um golo. Assim como as temos ouvido durante os jogos, um ruído com efeito hipnotizador, podiam ser centenas de varejeiras gigantes, em permanente voo rasante. Mas isto tem um benefício imediato. Ah, a felicidade de ver um jogo de futebol sem som... Obrigada, darling vuvuzela! 

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publicado às 19:36

Amo a vuvuzela

por Carla Hilário Quevedo, em 15.06.10

Poucos gostam do som da vuvuzela – uma corneta estreita e compridinha. Confesso que o tom grave que emite me agrada imenso. Faz lembrar paisagens exóticas, tempo árido, sol a pique e animais de grande porte em movimentos lentos. A imagem correspondente ao som da vuvuzela é aquela baixa resolução de cores a separar a terra do céu, que parece haver na praia em dias de calor intenso. O tom baixo e contínuo é quente como as terras sul-africanas; um «vuuuuu» que só acaba quando não há fôlego para mais. No entanto, não é apenas a caixa torácica do tocador que é posta ao serviço do Mundial. Sugiro que a respiração seja controlada e para isso há que usar o diafragma. Distenda o diafragma ao mesmo tempo que inspira e expire contraindo toda a zona da barriga. Ah, esta expiração deve ser feita, claro, com a boca devidamente colocada na dita da corneta. A posição dos lábios não pode ser deixada ao deus-dará. Os lábios devem estar perfeitamente colados ao bocal, e a abertura da boca deve ser mínima. Caso deixe os lábios relaxados, o resultado é uma espécie um «brrrrruuuuuu» talvez mais abebezado. Este som também é giro. Os meus vizinhos vão ter um mês muito difícil...

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 11-6-10

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publicado às 19:32

(maradona, tens razão)

por Carla Hilário Quevedo, em 12.06.10

Walter Samuel, defesa central da selecção da Argentina e homem lindo

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publicado às 20:35

Valores mais altos...

por Carla Hilário Quevedo, em 12.06.10

... que o som de noventa mil vuvuzelas impedem a realização do Bombaball de hoje. Fica só adiado.

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publicado às 13:45

Ainda não sei mas talvez

por Carla Hilário Quevedo, em 11.06.10

Talvez faça um Bombaball amanhã durante o jogo Argentina-Nigéria. Esclareço a quem não estava por aqui no último Mundial que o Bombaball consiste no relato minuto a minuto de um jogo, actualizado no bomba inteligente. Podia fazer isto no Twitter, pois podia. Mas não era a mesma coisa.

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publicado às 20:09

...

por Carla Hilário Quevedo, em 08.06.10

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publicado às 19:18

O país já não pára

por Carla Hilário Quevedo, em 08.06.10

Há pelo menos uma década que não assistia ao Festival da Eurovisão. Aconteceu, no entanto, estar naquele sábado à noite na companhia de amigos que insistiam em ver a participação da cantora da Arménia. Lá apareceu a Eva Rivas, a cantar sobre caroços de alperce, apertada num espartilho que satisfez fellinianos e edipianos presentes na sala. Dizem que o Festival da Eurovisão é o cúmulo do kitsch, por isso agrada tanto a intelectuais como aos outros. Como se de Inglaterra ou França, à Europa profunda da Turquia e de Israel, houvesse uma derradeira possibilidade de nos unirmos. Na piroseira, bem entendido. Houve gémeas borboletas da Bielorrússia, pianos duplos da Roménia, um mini-espectáculo de pirotecnia da Turquia e senhoras viçosas da Islândia. O candidato da vizinha Espanha cantou duas vezes o seu tema, e assim não tivemos outra alternativa a não ser fixar o verso «algo pequeñito, algo chiquitito», dedicado às crianças, mas que soa tanto a desconsolo. Sobre a participação de Portugal, é notório que Filipa Azevedo não destoou do ambiente geral, ao contrário da concorrente da Alemanha, que se apresentou descaradamente de vestido preto e conquistou o primeiro lugar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-6-10

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publicado às 19:11

Edie Falco – a vingança

por Carla Hilário Quevedo, em 08.06.10

Depois de anos ao lado de um marido homicida e adúltero, Carmela Soprano abandonou o lar da Máfia de Nova Jérsia e decidiu abraçar a nobre profissão de enfermeira. Até aqui, na verdade, pouco parece distinguir os papéis desempenhados pela actriz Edie Falco em The Sopranos, e na mais recente série do canal Fox Next, Nurse Jackie. Mas logo no primeiro episódio, percebemos que a comparação a ser feita é entre a enfermeira Jackie e o médico House (antes da desintoxicação). Jackie é casada, tem duas filhas, e é viciada em analgésicos em geral e no célebre Vicodin em particular. Pressentimos que mantém uma relação extra-conjugal com o farmacêutico do hospital porque é o dealer ideal, mas isto não faz da enfermeira uma oportunista e má pessoa. Jackie tem uma vida dupla. Não é só o marido que não sabe do seu caso, mas também o amante não faz ideia de que é casada e tem filhos. O interesse da série depende da complexidade da protagonista. Jackie é um caos na sua vida privada, e é a única pessoa decente num hospital de médicos incompetentes ou indiferentes. A enfermeira Jackie é um desastre moral, mas nenhum espectador sensato vai querer que seja apanhada.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-6-10

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publicado às 19:07

Diz-me quem recrutas, dir-te-ei quem és

por Carla Hilário Quevedo, em 08.06.10

Uma notícia no Guardian chama a atenção para os riscos de participantes em concursos de talentos. O programa na berlinda é o conhecido Britain’s Got Talent, que nos deu a estrela do YouTube, Susan Boyle. Ter ido parar ao hospital com um esgotamento por ter ficado em segundo lugar no concurso foi um pormenor menos noticiado, mas que deve dar que pensar. O recrutamento dos candidatos é a principal preocupação das instituições de saúde mental britânicas, que acusam Simon Cowell e a produção de negligenciar situações delicadas de participantes como Alyn James, um homem de 60 anos, dentista reformado, a quem foram diagnosticadas graves perturbações mentais. Apesar de ter avisado sete vezes a produção de que os médicos consideravam que corria o risco de se suicidar, pôde participar numa audição. Após ter sido ridicularizado no programa, James piorou. Este caso é só um exemplo de vários repetidos em programas de humor e em concursos deste tipo. Pessoas com fraca estrutura psíquica e emocional são usadas como bombos de uma festa que não é delas. Há uma regra fundamental no jogo de ridicularizar o próximo, que vem do Faroeste: nunca se dispara a quem não está armado.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-6-10

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publicado às 19:03

Legendas, precisam-se

por Carla Hilário Quevedo, em 08.06.10

O filme brasileiro Estômago, aplaudido pela crítica e premiado em festivais de cinema no Brasil e na Europa, estreou em Portugal. A história é divertida. Raimundo Nonato é um rapaz ingénuo do Nordeste, que parte para Curitiba. À chegada come umas coxas de frango num botequim, mas não tem como pagar. Mas tem um talento: sabe cozinhar. A história progride com Nonato a trabalhar no botequim e a fazer as melhores coxas de frango da zona. Conhece uma prostituta amante da boa comida, e é convidado pelo dono de um restaurante de «comida familiar» para estar na cozinha. Aí aprende tudo o que mais tarde o irá salvar na prisão. É que Nonato sabe cozinhar e sabe comer, mas não sabe beber: é bom cozinheiro e um assassino. As duas histórias – antes e na prisão – são contadas em simultâneo. Ainda assim, nem sempre o ritmo é aquele que se desejaria. Os diálogos são bons, sempre que são entendidos, o que nem sempre acontece por causa dos sotaques cerrados. O calão é difícil de perceber e o som está baixinho, como num típico filme português. Mas a maior crítica vai para o final, que me pareceu preguiçoso. O último crime é premeditado (improvável em Nonato) e inútil. Mas gostei.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-6-10

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publicado às 18:57

I want your everything

por Carla Hilário Quevedo, em 07.06.10

As long as it's free

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publicado às 19:48