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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 07.06.10

Sophia Loren (muito bem acompanhada)

 

... no almoço de sexta, discutimos longamente a frase de Ricardo Salgado que rezava assim: "Tudo tem um preço, excepto a honra". Na verdade, só eu parecia ter um problema com esta frase. Aquilo soou-me mal. Parece que são coisas de negócios, de homens de negócios, que vendem as suas participações nas empresas, desde que o preço seja adequado ou, enfim, mais que justo, alto. Não tenho nenhum problema com esta ideia, a não ser o sono que me causa. O problema é a segunda parte da frase. Quanto vale a coragem? A temperança tem preço? A lealdade, por exemplo, pode ser comprada, desde que o preço seja adequado ou, enfim, mais que justo, alto? E a gratidão? E a tão desejada paz de espírito? Ter honra nos negócios é importante. Mas a solenidade do anúncio de que tudo tem um preço - tudo menos a honra! - dá-me vontade de rir. Deve ter que ver com um conhecimento feminino milenar que diz que há coisas que simplesmente não se anunciam.

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publicado às 08:30

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 04.06.10
Tiziano Vecellio, Venere e Adone, 1553, óleo sobre tela, 186x207 cm, Museu do Prado

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publicado às 17:54

Rádio Blogue: Cuidar do ego

por Carla Hilário Quevedo, em 04.06.10

Há dois momentos na vida em que homens e mulheres desvairam. O primeiro acontece com o aparecimento dos raios de sol, por volta de meados de Abril ou no princípio de Maio. A mais um Inverno demasiado longo e frio, em que todas as partes do corpo viveram escondidas e sossegadas, sucede o momento do choque e espanto a experimentar um biquíni de praia ou umas calças levezinhas. Há gordura onde antes havia formosura e há barriga onde antes parecia estar tudo bem. A preocupação com o corpo não é exclusiva das mulheres. Nos últimos anos, as melhores marcas de cosmética têm propagado a ideia de que os homens também se preocupam com a sua imagem. A tese pode parecer paranóica. Mas a actividade publicitária não consiste precisamente em criar necessidades em mercados desinteressados? Porém, a preocupação masculina com o corpo não é uma novidade. Por volta de meados de Abril ou no princípio de Maio lá estão eles e elas a correr na passadeira, aflitos por abater os excessos invernosos. Os ginásios, quase vazios até à Primavera, de repente ganham vida. Há que voltar a poder caber naquelas calças e vestir um biquíni com dignidade, e assim atenuar a insegurança sazonal. Depois há-de vir o sol que bronzeia e também esconde. E nadar faz tão bem às pernas e à saúde. No Verão, a maior parte dos ginásios fecha, o que é bem-vindo nos casos raros dos clientes que os frequentam no mínimo quatro vezes por semana e assim descansam. Os outros não querem saber. A segunda época de desvario acontece depois dos cinquenta anos. Além do físico cada vez menos prodigioso, os efeitos da lei da gravidade começam a angustiar homens e mulheres. Cantores, actores e figuras que vivem da imagem parecem querer recuperar o irreparável através de intervenções cirúrgicas invasivas. Assim, rumores de que Madonna pode gastar 200 mil dólares a retocar a cara não surpreendem muita gente. As operações plásticas e os ditos retoques são já um hábito nos nossos dias? A que se deve esta obsessão generalizada com a imagem?

 

Publicado hoje no Metro. Deixe a sua opinião através do 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quarta-feira, dia 9 de Junho, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 11, às 10h35.

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publicado às 17:44

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 04.06.10

Uma Thurman

 

... ora, três coisas, além da habitual menção ao glorioso dia de sol que teve o seu início há umas horas: estou francamente entusiasmada com o Mundial. Não aprecio futebol, não percebo nada dos jogadores, até hoje mal distingo um canto de um fora de jogo; mas ter países a jogar uns contra os outros é estimulante. É nesta altura que o futebol deixa de ser um coisa de bairro, da maçada infinda do Benfica, para ser uma competição de todos. Tenciono seguir alguns jogos, embora não prometa vê-los do princípio ao fim. Se tenho uma vuvuzela? Pois claro que tenho uma vuvuzela! A segunda coisa diz respeito a esta história medonha do taxista inglês que se passou de automóvel e arma na mão. Dizem que Birdy era um homem sossegado, e que tinha uma dívida tremenda ao fisco. Um dia discutiu com os colegas e matou um, a seguir matou mais dois que estavam ali ao pé e depois - e esta é minha versão dos factos - achou que não tinha nada a perder. Esta característica - achar que não se tem nada a perder - é observada em sociopatas. Felizmente, nem todos os sociopatas são assassinos. Quanto à terceira e última coisa: o que Israel cometeu foi um erro militar, como referiu um militar, precisamente, convidado de um noticiário a comentar esta questão da flotilha. Parece que a abordagem ao barco, feita daquela forma, é sempre perigosa. Foi uma operação mal feita, disto parece não haver dúvidas. Mas era só o que faltava cair na armadilha de condenar Israel e ver-me de repente ao lado de Ângelo Correia ou do Hamas. Um shalom shabbat para vocês também.  

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publicado às 09:12

Destaque

por Carla Hilário Quevedo, em 03.06.10

The Awl

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publicado às 15:03

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 03.06.10

Uma Thurman

 

... ah, o doce sabor do pânico que me faz acordar cedinho é parecido com o dos morangos nesta altura do ano. Têm em comum uma falta de hidratação, uma secura própria de fim de época; mas mantêm o bom sabor. Ainda bem que os dias têm estado lindos. Mesmo o de ontem, sem sol e abafado, num estilo sauna a céu aberto, foi um belo dia. Hoje promete ser ainda melhor.

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publicado às 08:07

Adenda

por Carla Hilário Quevedo, em 02.06.10

Ricardo Darín também lembra Cary Grant ou James Stewart. Es muy elegante.

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publicado às 19:20

Histórias românticas

por Carla Hilário Quevedo, em 02.06.10

Estreou em Portugal o filme argentino El secreto de sus ojos, de Juan José Campanella, que arrebatou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro das mãos talvez demasiado austríacas de Michael Haneke. Atentemos no actor principal. Ricardo Darín é o digno sucessor de Benicio del Toro, que sucedera, por sua vez, a Marlon Brando. Tenho esperança de que, por ser argentino, Darín não desista tão depressa quanto Brando ou del Toro. A história é romântica, à boa maneira antiga. Benjamin Espósito, reformado da vida judicial, decide escrever um livro sobre um homicídio de uma jovem mulher recém-casada, que há mais de vinte anos o atormentava. Além do casamento abreviado de Liliana e Ricardo, El secreto de sus ojos conta a história do desencontro amoroso entre Benjamin e Irene, que procuram solucionar o caso. Partindo da ideia acertada de que os seres humanos podem mudar tudo, menos as paixões, Benjamin vai à procura de Ricardo e descobre tudo. A segunda ideia curiosa do filme decorre da primeira: se as paixões não mudam, é sempre possível encontrar quem não quer aparecer. O filme apresenta ainda um argumento original contra a pena de morte. O Óscar foi bem ganho.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 28-5-10

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publicado às 19:14

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 02.06.10

Brigitte Bardot (bem acompanhada)

 

... é verdade, meu Amor: ninguém no país aguenta ouvir ninguém na televisão a falar sobre seja o que for. À excepção dos quadraturos e de Marcelo, como é evidente, do Herman, do Nogueira e do Unas. Foi por ter previsto este estado de coisas que Deus inventou a HBO, a Showtime, etc. E agora temos Modern Family (uma maravilha), Nurse Jackie (outra), vamos tendo House (bom último episódio), Desperate Housewives ainda mexe (apesar do fraco último episódio), Glee (mais para mim) e outras. Entretanto, não fizeram caso dos meus preciosos conselhos e estragaram o programa da dança com as galas de três horas. É da mais pura falta de senso e educação secar assim os espectadores. A televisão personalizada e selectiva é a única que presta.

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publicado às 08:29

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