Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 21.05.11

Emanuelle Beart a contar a Isabelle Hupert que desconfia de quem muito se descontrola

 

... a pensar que uma epígrafe para o texto sobre o caso DSK é qualquer verso do clássico Everybody Ought To Have A Maid, de Sondheim. Mas gostei mais de Frank Sinatra para a ocasião. Entretanto, ficámos a saber que «violação» na América é «sedução» em França. E que a viúva de Moravia diz que DSK gosta de sexo, qual é o mal? É deste modo frívolo que se faz a pergunta certa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:32

Rádio Blogue: DSK

por Carla Hilário Quevedo, em 20.05.11

If I can make it there, I'll make it anywhere

New York, New York, Fred Ebb

 

Num texto de defesa a Dominique Strauss-Kahn, Bernard-Henri Lévy pergunta o que estava a fazer uma camareira sozinha num quarto de hotel em Nova Iorque, quando é normal a limpeza ser feita por «brigadas» de pelo menos duas empregadas. A resposta é dada no New York Times, por Maureen Dowd, que afirma ter ficado no Sofitel várias vezes e diz ser costume haver apenas uma empregada por quarto. A defesa de Henry-Lévy aproveita um elemento da teoria da conspiração que colocaria Strauss-Kahn no papel de vítima inocente de uma armadilha cuidadosamente armada pelos seus inimigos e potenciais adversários nas próximas eleições. A um mês de ser apontado como o candidato que disputaria a Presidência com Nicolas Sarkozy, Strauss-Kahn é detido em Nova Iorque na sequência de uma acusação de agressão sexual a uma empregada do hotel Sofitel em Times Square, levado algemado pela Polícia a tribunal com o mundo inteiro a assistir. A acusação começou por ser negada por Strauss-Kahn. Pouco tempo depois, a defesa alegava que a relação fora consensual. Dias depois, Strauss-Kahn demitia-se da Presidência do FMI. Ao mesmo tempo, relatos de conduta idêntica vinham à tona e cada vez mais o amigo de Henry-Lévy parecia culpado. O caso da jornalista de Tristane Banon contribuiu para esclarecer um certo comportamento. Tinha 22 anos quando, em 2002, o entrevistou para um livro. A experiência acabou numa tentativa de agressão sexual. O Presidente do FMI foi recentemente descrito por Tristane Banon como sendo «um chimpanzé com cio». O caso foi abafado com a ajuda da própria mãe da vítima. Sucedem relatos similares sobre a conduta de Strauss-Kahn. Resta saber quantos terão sido desculpados e interpretados como «sedução» pelos amigos. Vivemos num país em que um psiquiatra é absolvido por violar uma paciente e em que o violador de Telheiras pode escrever impunemente às suas vítimas. O que aconteceria se o Presidente do FMI tentasse violar uma empregada de hotel em Portugal? A acusação a Strauss-Kahn foi uma surpresa? Haverá uma conspiração?

 

Publicado hoje, no Metro. Deixe a sua opinião através do 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 26 de Maio, às 15h, vão para o ar, na Rádio Europa, na sexta, dia 27, às 10h30.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:44

Anatomia de Gray nas Amoreiras

por Carla Hilário Quevedo, em 17.05.11

 Este desenho dos músculos da nuca foi o único que fotografei. É o único sem data nem autor identificados. Está logo à entrada, do lado direito, por cima do osso esfenóide de Estrela Faria.

 

A exposição Gabinete de Anatomia: Arpad, Vieira e os desenhos anatómicos do Museu de Medicina, comissariada por Manuel Valente Alves, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva até 3 de Julho, é de uma beleza comovente. Os que a visitaram sabem do que falo quando me refiro à beleza fina das obras expostas. Mas a qualidade dos desenhos escolares não está apenas presente no seu rigor técnico nem na doçura do traço. A minúcia apresentada não aparece desligada de uma história de dedicação contada aos poucos pelas paredes da exposição. A minúcia é a expressão da generosidade dos autores, que possibilitou a colecção agora exposta. Os desenhos não eram obrigatórios na cadeira de anatomia artística leccionada por Henrique de Vilhena, entre 1905 e 1938. Foram feitos com um objectivo desinteressado e generosamente entregues à sua guarda pelos alunos, entre os quais se incluíam Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães, Frederico George, Aurora Bermudes, Estrela Faria, Arpad Szenes ou Maria Helena Vieira da Silva, aluna de Henrique de Vilhena por opção pessoal. De Vieira da Silva, recomendo os músculos das mãos e dos pés, o esterno, a tíbia o fémur.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 13-5-11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:02

Cenas da vida conjugal*

por Carla Hilário Quevedo, em 17.05.11

* Isto hoje é só maravilhas, umas atrás das outras.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:47

Acabo de fazer esta descoberta

por Carla Hilário Quevedo, em 17.05.11

Etiqueta: I love YouTube.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:26

Por ser muito bonito

por Carla Hilário Quevedo, em 14.05.11

Julian Alden Weir

Julian Alden Weir, The Little Student, sem data

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:03

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 14.05.11

Catherine Deneuve

 

... a revista Visão parece que rebateu ponto por ponto o vídeo aos finlandeses. Não gostei do vídeo porque sou uma franca apreciadora da arte do auto-elogio. Não é para todos. Só uma minoria consegue fazê-lo, porque é preciso ter um certo tipo de humor, além de uma habilidade sofisticada no uso da hipérbole. Voltando ao filme, parece que se confirma que, por exemplo, «arigato» não é uma palavra portuguesa. Tinha ficado impressionada com isto. Afinal, era só bazófia. Só faltou dizer: «Fomos nós que inventámos a roda!». Concluindo, o vídeo tem afinal mais graça do que eu pensava.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:36

Destaques

por Carla Hilário Quevedo, em 13.05.11

A Livreira Anarquista Imprensa Falsa

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:45

Rádio Blogue: Debates eleitorais

por Carla Hilário Quevedo, em 13.05.11

Começaram de novo os debates eleitorais, obrigatórios entre líderes partidários ou candidatos a Primeiro-ministro. Chegámos, mais uma vez, àquele momento em que não sabemos se são os debates que influenciam as sondagens ou se são as sondagens que influenciam os discursos dos participantes. A grande novidade, desta vez, é que estas eleições parecem limitar-se à escolha de três partidos ou à escolha de quem vai liderar um governo que, tudo leva a crer, será no mínimo composto por dois partidos. O PCP e o Bloco de Esquerda, ao negarem a inevitabilidade dos empréstimos para saldar as dívidas nacionais, e ao não quererem assinar nenhum pacto de compromisso, parecem estar voluntariamente auto-excluídos de qualquer solução governamental. A solução desta crise passa por aplicar aquilo a que geralmente se chama medidas de direita ou liberais. Esta particularidade leva-me a pensar que a esquerda tem soluções para distribuir o dinheiro, mas não tem propostas para o ganhar. Estou a simplificar e talvez por isso pareça injusta. Mas se o for, não é culpa minha. Fui levada a esta conclusão por ouvir constantemente os partidos do centro-direita a prometer honrar as obrigações impostas pela «troika», e até a elogiá-las. Ao mesmo tempo, ouvi inúmeros economistas, especialistas e comentadores a concordar que muitas destas medidas que nos são agora impostas já deviam ter sido tomadas há muito tempo. Há muitos portugueses que, desconhecendo o preço alto que pagaremos por causa destas medidas, defendem que era mais que hora de alguém pôr as contas, o estado e os partidos em ordem. Ou seja, em simultâneo com os debates e a campanha decorre uma outra vida em que tudo foi já decidido, e que é a do acordo estabelecido com a «troika» constituída pelo FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. Havia outra solução para Portugal sair desta situação? A esquerda fez bem em não estar presente nas negociações com a «troika»? Perante este cenário, para que servem os debates eleitorais?

 

Publicado hoje, no Metro. Deixe a sua opinião através do 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 19 de Maio, às 15h, vão para o ar, na Rádio Europa, na sexta, dia 20, às 10h30.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:38

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 13.05.11

 

Catherine Deneuve

 

... tenho estado a pensar naquele vídeo que fizeram para expor a falta de respeito, gratidão e solidariedade dos finlandeses. Não sei se gosto da ideia de sermos obrigados a explicar a um país europeu a importância histórica de Portugal no mundo. É parecido com conversas (geralmente sem retorno) entre gente qualificada e capaz, mas sem poder, e ignorantões com poder. Os ignorantes não sabem o que têm à sua frente nem percebem quando a outra pessoa lhes explica. A posição de quem explica, por isso, nunca é boa. O vídeo é engraçado (o do Estoril, não o de resposta, que é muito pobrezinho, coitado), mas tem por base uma certa condescendência em relação ao próprio País que enaltece. É possível, no entanto, que não esteja a reconhecer o humor no vídeo. Ou isso, ou o elogio do pastel de nata é mesmo muito difícil de fazer.     

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:19

...

por Carla Hilário Quevedo, em 10.05.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:49

Estado em que se encontra este blogue

por Carla Hilário Quevedo, em 10.05.11

Sem tempo sequer para acordar. Um escândalo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:45

Arthur Laurents (1917-2011)

por Carla Hilário Quevedo, em 10.05.11

Obituários no Guardian e carta de um leitor sobre Anyone Can Whistle... that's what they say, easy, anyone can whistle, any old day, easy; it's all so simple, relax, let go, let fly, so someone tell me why can't I? Obrigada, obrigada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:43

Tinha imensas expectativas...

por Carla Hilário Quevedo, em 10.05.11

... quanto ao Perdidos na Tribo. A ideia é boa. O programa está bem feito. E não gostei.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:41

Peso a mais

por Carla Hilário Quevedo, em 10.05.11

O motivo de interesse do concurso The Biggest Loser é a possibilidade de transformação física de uma pessoa para muitíssimo melhor. O programa é necessariamente mais lento que outros reality shows e exige do espectador bastante paciência para assistir a horas de ginásio e pesagens sem fim. Mas o final é compensador. A comparação entre o antes e o depois anima participantes e espectadores. Assisti à estreia do Peso Pesado a pensar que, apesar da doença dos gordos e da saúde dos magros, os fins não justificam os meios. O problema principal da versão portuguesa é um outro excesso que nada tem que ver com calorias. O tom sentimental, as lágrimas que caem pela cara abaixo por tudo e por nada e a extrema fragilidade emocional dos concorrentes tornam as provas ainda mais cruéis. Também havia choro na versão original. Mas os concorrentes americanos não tinham espírito dramático. Os nossos concorrentes carregam o peso da desgraça tão tipicamente portuguesa. Não é só o excesso de peso que é um drama, mas a sua própria vida, que é exposta como sendo um fardo e um sofrimento insuportáveis. Volto para ver os últimos programas, quando estiverem menos pesados.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 6-5-11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:29