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Complexidade sexy

por Carla Hilário Quevedo, em 14.02.14

"The complexity of the beloved is an important factor in determining whether love will be more or less profound as time goes on: a simple psychological object is liked less with exposure, while a complex object is liked more", de um texto sobre amor eterno, de  Aaron Ben-Zeev, na sempre excelente Aeon Magazine.

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publicado às 14:28

São Valentim

por Carla Hilário Quevedo, em 14.02.14

Na revista The New Yorker.

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publicado às 12:55

A resposta de Woody Allen

por Carla Hilário Quevedo, em 12.02.14

"Even the venue where the fabricated molestation was supposed to have taken place was poorly chosen but interesting. Mia chose the attic of her country house, a place she should have realized I’d never go to because it is a tiny, cramped, enclosed spot where one can hardly stand up and I’m a major claustrophobe. The one or two times she asked me to come in there to look at something, I did, but quickly had to run out. Undoubtedly the attic idea came to her from the Dory Previn song, "With My Daddy in the Attic." It was on the same record as the song Dory Previn had written about Mia’s betraying their friendship by insidiously stealing her husband, André, "Beware of Young Girls." One must ask, did Dylan even write the letter or was it at least guided by her mother? Does the letter really benefit Dylan or does it simply advance her mother’s shabby agenda? That is to hurt me with a smear. There is even a lame attempt to do professional damage by trying to involve movie stars, which smells a lot more like Mia than Dylan." Da resposta de Woody Allen, publicada no NYT, um jornal que, por este andar, deve um pedido de desculpa aos leitores. 

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publicado às 19:05

Provavelmente inocente

por Carla Hilário Quevedo, em 12.02.14

A carta de Dylan Farrow, filha adoptiva de Mia Farrow e Woody Allen, publicada no New York Times, em que acusa o realizador de a ter abusado quando tinha sete anos, é de uma violência sem paralelo. É certo que hoje em dia pouco do que se publica choca os leitores, mas esta carta de uma rapariga destruída aos 28 anos merece análise policial. Não sabemos o que se passou entre Woody Allen e a filha adoptiva, se é que se passou, mas sabemos do que Mia Farrow é capaz. Quem não se casava com esta mulher era eu. Ainda há meses anunciou que o filho, Ronan Farrow, era filho de Frank Sinatra, o que significa que Mia Farrow teria engravidado do ex-marido estando casada com Woody Allen. Não sabemos, repito, o que se passou, mas lembremos que Woody Allen não foi acusado como Roman Polanski. Quando foi interrogado, nada indicou que tivesse cometido um crime. Cuidado com a ânsia acusatória, tão amiga da injustiça. É preferível enganarmo-nos ao contrário.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-2-14

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publicado às 19:00

Gosto de Miró, mas sou fã de Dalí

por Carla Hilário Quevedo, em 09.02.14

Dediquem 9:21 do vosso tempo a ver este vídeo, a sério.

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publicado às 19:17

Parvalhões e Mirós

por Carla Hilário Quevedo, em 09.02.14
App InstaEffects com filtro Lucky e autocolante de texto

O assunto da semana, sobre o qual ninguém aguenta mais ouvir falar, é um caso com perguntas à espera de respostas. Falo das 85 obras do pintor catalão Joan Miró, propriedade do antigo BPN, banco nacionalizado em 2008. Ou dos "Mirós", como rapidamente foram absorvidos na nossa língua.

 

"Os Mirós" são familiares como a mobília de casa da avó, embora muito poucas pessoas os tenham visto. São uma herança inconveniente, tratados como mamarrachos a despachar por quem der mais. "Os Mirós" parecem as salvas e os serviços de prata de que ninguém gostava a não ser uma pessoa da família. Neste caso, como costuma acontecer nas famílias, o primo afastado, que será o antigo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, não teve voto na matéria. Segundo o que sabemos, houve uma proposta para fazer uma exposição que não foi autorizada pelo Ministério das Finanças. E porquê? Porque, somos também informados, aquelas obras não são “nossas”, apesar de o banco ter sido nacionalizado. O Estado ter injectado quatro ou cinco mil milhões de euros no BPN parece não ser relevante neste caso. As obras seriam vendidas para abater a dívida, como acontece por vezes na venda das pratas.

 

O problema bicudo surge na ausência de respostas às seguintes interrogações. Se "os Mirós" não são nossos, quem está a fazer o negócio com a Christie’s? Respondem, à espera da próxima pergunta, que é a Parvalorem, uma sociedade criada para recuperar créditos do BPN. A Parvalorem é, portanto, a proprietária das obras. Acontece que o seu único accionista é o Estado. Aliás, dizem-nos repetidamente que o dinheiro obtido com a venda das obras servirá para preencher essa espécie de poço sem fundo que foi o BPN. Resumindo, não é o Estado que vende, dizem, mas é curiosamente o Estado que beneficia com a venda, dizem também. Ainda ninguém soube explicar o processo com clareza. Também ninguém na época de criação da dita Parvalorem teve a clarividência de chamar à empresa Par Valorem.

 

Penso que muitos dos problemas a que estamos agora a assistir advêm de os quadros nunca terem sido expostos. É difícil falar da utilidade da arte, sobretudo num país que não tem onde cair morto em tantos aspectos, mas penso que é fácil perceber que as obras de arte são feitas para serem vistas. O que foi negado à partida foi precisamente esta possibilidade de ser dada a ver uma parte, sem dúvida mínima, da obra de Miró. Não me impressiona que se venda, se o processo for claro, e o negócio vantajoso. Mas é mau negar ao público a possibilidade de ver obras de arte por que, mais esquema, menos esquema, pagou.

 

Por fim, mais um mistério: como foram as obras parar a Londres para o leilão da Christie’s? E antes disso, como foram afinal parar aos grunhos fraudulentos do BPN? Antes de tentar uma resposta para a primeira pergunta, gostaria de chamar a atenção para a decisão exótica do tribunal, que constatou ilegalidades na saída dos "Mirós" do país e, ainda assim, autorizou a venda das obras em leilão. A pergunta deve ser dirigida à Parvalorem, responsável por este processo. Mas aposto que foi o Luís de Matos, com o poder da mente, que os transportou.   

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 8/9-2-14

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publicado às 19:10

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 09.02.14

Disconnect (muito bom e deprimente). Austenland (divertido, muito nesta parte em que Austen meets Nelly). 

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publicado às 19:09

Entretanto, em Sochi...

por Carla Hilário Quevedo, em 07.02.14

Watch a Russian Police Choir Sing "Get Lucky" at the Opening Ceremony

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publicado às 23:09

Absolutamente a ler

por Carla Hilário Quevedo, em 07.02.14

"Neste espantoso modelo, já tendencialmente aplicado em Portugal, uma pessoa deixa de poder decidir por si mesma o objecto da sua investigação individual; os seus interesses intelectuais mais genuínos são, em vez de estimulados e valorizados, passados assim para segundo plano, ajustados a temas pensados (eu diria tossidos) por terceiros, ou mesmo abandonados por completo. É mais ou menos por essa altura que um estudante se torna num assalariado." Humberto Brito, de novo sobre bolsas de investigação, FCT, emprego científico, etc. 

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publicado às 23:02

Lucrecia Martel em Lisboa

por Carla Hilário Quevedo, em 05.02.14

 

A realizadora argentina Lucrecia Martel esteve em Lisboa no fim-de-semana passado a participar na mostra de cinema intitulada Harvard na Gulbenkian. No domingo, antes da exibição de La Niña Santa, de 2004, um filme que ainda não tinha tido a oportunidade de ver, Lucrecia Martel fez a apresentação prevenindo logo que não iria desvendar nada da história. A situação, disse, era "mais comum acontecer a uma mulher do que apaixonar-se". Era um caso de "falta de respeito" que acontecia com frequência. A história seria sobre a reacção de "um ser místico" a uma destas situações de "falta de respeito". Sem revelar pormenores, Lucrecia Martel resumiu na perfeição o filme que realizou. Que diferença fazem os autores que sabem falar sobre o seu trabalho. La Niña Santa é um grande filme. Infelizmente, a divulgação da mostra de cinema ficou aquém do que seria desejado, com alterações no programa à última hora e uma promoção demasiado tímida na imprensa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 31-1-14

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publicado às 17:57

Coisas sérias

por Carla Hilário Quevedo, em 05.02.14

Amy Poehler em Harvard.

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publicado às 17:08

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 05.02.14
Emily Blunt

 

... pode ser por causa de uma gripe maldita que me apanhou numa esquina ventosa, mas tenho achado isto tudo entusiasmante. Quanto às praxes, sou agora radicalmente a favor da sua proibição. Comecei hipocritamente moderada e acabo num extremismo reaccionário à solta sem paralelo. Sobre a morte de Philip Seymour Hoffman, fiquei chocada com a notícia. Não sabia da sua adicção, mas isto é como disse o Stephen King no Twitter: "Don't fuck with the White Lady. White Lady always wins". Uma perda tremenda e revoltante; uma injustiça sem posibilidade de redenção. Quanto aos Mirós, só para ver PS e PCP a elogiarem a Christie's penso que já valeu a pena. E quanto à Christie's, iremos assistir daqui para a frente a um conjunto de lamentos sobre que bem os outros sabem fazer as coisas. Não basta a vergonha de termos uma leiloeira a ignorar uma decisão de um tribunal português. Isto tem de ser bem espremido com exercícios de auto-flagelação. A verdade é que tudo isto seria evitável se os quadros tivessem sido expostos. Porquê? Porque é essa, resumidamente, a sua função. Se querem insistir na questão do dinheiro - o que se faz com este argumento? -, porque o contribuinte foi chamado a pagar também por eles. A questão é simples: queremos ver. Se há vários responsáveis no processo? Claro que sim. Se houve oportunismo político? Com certeza. Agora exponham os quadros. Por fim, quanto às acusações feitas a Woody Allen, posso estar enganada, mas não compro nenhum dos Farrow, mãe e filhos. Assim me despeço, por agora, regressando ao meu quotidiano gripal, não sem antes vos deixar com uma entrevista dada por Woody Allen, em 1992

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publicado às 09:39

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 02.02.14

The Heat (adorei, mas podia ter menos uns bons vinte minutos).

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publicado às 17:44

A minha cidade

por Carla Hilário Quevedo, em 02.02.14
App Instagram com filtro Amaro

Sou lisboeta e moro em Lisboa. Tenho, sobretudo porque gosto de morar aqui, relativamente à cidade que é minha, um sentimento de propriedade. É a minha casa, que partilho com cerca de um milhão de pessoas, mais várias tantas que chegam e partem em dias. Não escolhemos o sítio onde nascemos. Mas temos uma palavra a dizer quando se trata do sítio em que escolhemos viver. E escolhemo-lo por várias razões. Há quem se fixe em Lisboa porque quer fugir da guerra e da fome no seu país. Há quem more aqui há mais de trinta anos porque numa vinda em trabalho se apaixonou por uma mulher e ficou. Conheço vários casos. Os autóctones normalmente gostam de Lisboa, mas por vezes também querem partir, arejar, ver outras paragens durante um tempo. Moram fora uns anos porque querem, porque ganham mais noutros lados, e depois voltam. Não sei se será assim com outros habitantes de outras cidades portuguesas, mas os lisboetas regressam porque são fãs da sua cidade. E como qualquer fã, não são apreciadores de elogios de estranhos à sua amada Lisboa.

 

Há dias falava sobre Lisboa com uma estudante grega que estuda em Londres e que decidiu vir para cá escrever a sua tese de doutoramento, quando lhe disse que tinha gostado muito de Atenas. Ficou surpreendida porque "Lisboa é a cidade mais bonita do mundo, a mais encantadora". Tinha planeado tudo para vir cá passar uns tempos e estava muito feliz por estar aqui. Tinha uma vida doce, a escrever nos cafés, sem o caos ateniense à porta de casa. Aceitei o elogio como qualquer anfitriã orgulhosa da sua casa, mas ao mesmo tempo uma espécie de diabinho na minha cabeça gritava: “Olha a grande novidade!”. Claro que Lisboa é uma grande cidade, a mais doce, a mais encantadora, a mais humana, no sentido em que a circulação automóvel não é complicada, mesmo na hora de ponta. Quem não acredita, pode experimentar o centro de Atenas a qualquer hora. Tem monumentos, palácios, palacetes. Não tem a Acrópole, é certo, nem o extraordinário Sounion ali perto. Mas nós só temos um Martim Moniz, embora mais para Telheiras haja várias Almirantes Reis.

 

Mas para que comparo o incomparável? Que insegurança súbita se abateu sobre mim? O que me deu para defender Lisboa como se estivesse a ser atacada? A culpa é da CNN e do seu artigo a elogiar Lisboa como a cidade mais "cool". Mas quem são estas pessoas que agora se põem por tudo e por nada a falar da minha casa como se fosse delas? Como se a conhecessem melhor do que eu? Como se "gostar de Lisboa" não fosse o requisito básico exigido à pessoa civilizada? É possível não gostar? Então para quê tanto alarido?

 

Para a CNN, Lisboa é "cool" porque a vida nocturna é melhor do que em Madrid. Só isto já me maça, até porque provavelmente é falso. Depois falam da gastronomia, o que me entedia. É óbvio que se come muito bem em Lisboa. É preciso publicitar uma obra-prima como o Belcanto? É como dizer que a Mona Lisa é belíssima. Duh! Os museus, os castelos, as ruas e as praias são louvados, como se a sua existência tivesse de ser promovida. Se calhar, até tem, mas não é preciso fazer tanto alarido dos elogios dos outros, alguns nem nunca viram o mar. Quando a CNN elogia Lisboa, não faz mais do que a sua obrigação. 

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 1/2-2-14. 

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publicado às 17:35

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