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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 08.07.14
Brigitte Bardot

 

... por causa de um trabalho que deixei de lado e a que me voltei a dedicar, dei por mim a olhar para o caderno de notas que me acompanha neste caminho há demasiado tempo. Tentei decifrar aquilo que tenho vindo a anotar ao longo do tempo e reconheci pouco do que ali escrevi. Ou não gostei, ou não percebi, ou mudei de ideias. O caderno está out, por isso foi substituído por um novo. Mas gostei de ler que tive dúvidas sobre se Plínio, o Velho teria chegado a ver ouriços na sua vida ou se terá inventado que os ouriços apanhavam maçãs ao rebolarem sobre elas. Infelizmente não apontei a passagem onde falava sobre isto na História Natural.

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publicado às 10:11

Bocados de pessoas

por Carla Hilário Quevedo, em 06.07.14
App CameraBag com filtro Helga sobre Homem à procura de pulgas na camisa, de Goya, 1824.

 

“Tem uma vida profissional tão bem sucedida e uma vida pessoal tão vazia”, “é muito racional, mas não sabe exprimir as suas emoções”, “tem tanto dinheiro e é tão infeliz” são algumas das expressões que costumamos ouvir sobre outras pessoas. As descrições oscilam entre os aspectos positivos para quem descreve – e para a maioria que ouve a história alheia – e aqueles tão negativos que estragam a história da que seria a pessoa perfeita, insuportavelmente irrepreensível, o exemplo de uma pessoa “completa” ou mais prosaicamente “que tem tudo”. Lamentavelmente, ou talvez nem por isso, nestas descrições há sempre uma adversativa ou uma falsa copulativa a lembrar que a pessoa, coitada, é uma desgraça, porque aquilo que lhe falta é o mais importante.

 

O alvo da descrição não é entretanto tido nem achado para a história que contam sobre ele. Não sabe, mas deixou de ter vontade própria. Ele não é o que sempre pensou que era; é, afinal, o resultado do que deviam ser as suas expectativas. São expectativas que não são definidas por ele, mas que deve cumprir para satisfazer um mundo exigente e ao mesmo tempo profundamente indiferente à sua existência. É um mundo que se quer alimentar do que é perfeito ao mesmo tempo que se convence de que a perfeição não é possível. Precisa de imagens de perfeição, porque são a única maneira que tem de imaginar uma unidade que o conforta, mas para o qual é insuportável a ideia de os outros “terem tudo”, mesmo “quando a vida não corre bem”, segundo os que entendem certos acontecimentos dramáticos como situações das quais “não é possível recuperar”. A recuperação ser possível causa outros problemas.

 

Há aqui dedos a mais espetados na mesma ferida, por isso recapitulemos: 1) os outros conhecem melhor aquele de que falam do que o próprio; 2) o alvo da descrição tem falhas na sua vida; 3) se não tivesse aquelas falhas, seria uma pessoa perfeita, mas é importante sublinhar que não é. Perante a actividade mais antiga do mundo, mesmo anterior à prostituição, a pergunta que me ocupa a cabeça é: quais as intenções de descrever os outros assim?

 

As respostas são variadas e podem estar relacionadas com pura e simples “falta de tema”. A falta de tema leva a falar dos outros e falar dos outros é uma actividade que consiste em escolher bocados, seleccionar partes, destacar umas e ignorar outras, tudo com um objectivo, que pode ir desta simples maledicência à biografia, mas em que existe uma ideia comum: a de que a pessoa descrita sabe menos sobre ela própria, tanto sobre a importância dos acontecimentos na sua vida como sobre a sua capacidade de viver bem com as “falhas” apontadas por outros. Está então criado um tema de conversa, mas qual será exactamente? Queremos falar de quê ou de quem quando falamos de outros, sobretudo quando falamos dos outros como se não fossem inteiros?

 

A actividade de falar do próximo é tão arriscada quanto insultuosa quando os visados estão vivos e de boa saúde até prova em contrário. As pessoas têm de estar mortas e há muito tempo para podermos falar de nós próprios em paz.

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 5/6-7-14

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publicado às 19:17

Suavemente

por Carla Hilário Quevedo, em 04.07.14

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publicado às 13:19

Lily Allen sobre trolls

por Carla Hilário Quevedo, em 03.07.14
It's not for me? It must be wrong
I could ignore it and move on
But I'm a Broadband Champion
A URL Badman
And if you're tryna call it art
I'll have to take it all apart
I got a high-brow game plan
A URL Badman

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publicado às 18:58

#LikeAGirl

por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.14

Sim, é um anúncio a pensos higiénicos. Muito bem escrito.

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publicado às 19:47

My idea of fun

por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.14

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publicado às 19:42

A 'explicação'

por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.14

O palerma queria tirar uma selfie... 

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publicado às 19:29

Atracção pela arte

por Carla Hilário Quevedo, em 01.07.14

Na Universidade de Tübingen, na Alemanha, está exposta uma escultura de mármore encarnado do escultor peruano Fernando de la Jana. Chama-se Chacán-Pi. Desconheço o que significam estas palavras em quéchua. Em inglês, dizem que se chama 'Making Love'. A obra, que pesa 32 toneladas, é um cubo com uma racha de curvaturas sugestivas no meio. Não é preciso ser muito sofisticado para associar a fenda a uma vagina. Há dias, um estudante meteu-se lá dentro e não conseguia sair. Foram precisos 20 bombeiros a fazer de parteiras para o rapaz não passar o resto da vida dentro da dita cuja. O que terá passado pela cabeça deste estudante? Imagino que terá sido uma brincadeira estúpida, uma tentativa de impressionar os colegas com a façanha ou quem sabe se uma aposta. Mas terá avaliado o valor simbólico da sua iniciativa? Penso que não. O que me parece imperdoável é o rapaz não se ter apercebido da inflexibilidade e da frieza do mármore. Que grande palerma.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-6-14

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publicado às 19:26

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